Encontro com a própria sombra

O que acontece quando se está em contato profundo consigo mesmo e é possível acessar camadas do subconsciente e da memória que você nem lembrava mais (ou preferia deixar lá esquecido)?

É como estar numa sessão de terapia, mas o terapeuta é você mesmo. Você é capaz de escolher as portas que deseja abrir e as memórias e traumas que deseja acessar e trabalhar. A relação de tempo e espaço fica completamente distorcida: um momento agradável e aconchegante pode parecer durar pouco, já um desconforto de minutos parece horas intermináveis. Tudo isso no intervalo de uma música.

É uma experiência tão terrível quanto maravilhosa. Terrível porque lidar com sentimentos, crenças e talvez traumas que até então você não queria trazer à tona, ou, ainda, nem sabia da existência, dói. E maravilhoso porque é incrível ter o poder de acessar e curar feridas que antes machucavam, fazer as pazes com o passado.

A verdade é que todas as vivências estão lá guardadas em algum compartimento. Mas o cérebro deixa arquivado e escondido como mecanismo de proteção. Como o universo é perfeito, esse acesso será feito no momento certo.

Ouvir a voz do eu superior pode ser libertador e ao mesmo tempo uma luta interna consigo mesmo. Lá no fundo, você sabe o melhor caminho, mas às vezes, prefere ficar brigando com as possibilidades.

O mais maravilhoso de passar por uma experiência dessa, de mergulhar profundamente para dentro de si, é se conhecer ainda mais, ampliar a consciência sobre si mesmo, sobre o mundo. E saber que nunca mais será igual. A certeza é de mudança muito positiva e de um passinho a mais no caminho da evolução.

Um passinho a mais no entendimento do porquê passamos por algumas situações e o que temos que aprender com cada uma delas. Só passando pela tempestade é possível encontrar o arco-íris. E, para isso, encontrar a própria sombra é imprescindível na jornada do autoconhecimento.

Série: The Bold Type

Esse texto contém spoiler!

A série que estreou há pouco tempo na Netflix está cheia de assuntos importantes e que valem nossa reflexão, porém, embrulhados num entretenimento leve e gostoso de assistir com elementos que eu amo e são importantes pra mim: amigas, moda, jornalismo e Nova York. Fórmula perfeita!

A história gira em torno das três amigas que são protagonistas da série: Jane, Sutton e Kat. Elas trabalham em uma importante revista feminina e compartilham histórias de amizade, relacionamentos amorosos, carreira, família e vários outros.

Como eu disse, as mensagens são muitas, mas resolvi separar alguns tópicos para contar aqui:

Jornalismo
A história gira em torno de três amigas que trabalham na Scarlet, uma importante revista de moda em Nova York. Jane, uma das protagonistas, é jornalista, e entre drinks e confissões de suas bffs no closet da revista, busca inspiração e fontes para suas pautas. Sou jornalista e amo escrever, e me identifiquei logo de cara com essa personagem.

Moda
A revista cobre diferentes assuntos e um de grande destaque é a moda. Sutton é a personagem que sonha em trabalhar nessa área e batalha por uma vaga de assistente de moda, quando produz e faz o styling de lindos ensaios de fotos. Os looks das protagonistas também não ficam atrás no quesito fashion.

Empoderamento feminino
Mulheres fortes, que sabem o que quer, que não se calam, que buscam o próprio prazer, que lutam por espaço no ambiente corporativo. São alguns dos ângulos mostrados na série.

Influência digital
A série começa em 2017 e já mostra fortemente a presença e força do digital, tanto na vida pessoal, como na trajetória de marcas como a revista Scarlet. Como um Tweet pode alavancar ou enterrar uma pessoa (e/ou marca) e sua carreira.

Líderes humanizados
A série foge totalmente do estereótipo de chefe carrasco, que põe medo e humilha seus funcionários. Muito pelo contrário. Jacqueline, a editora-chefe da revista, age sempre com muito cuidado, carinho e dá direcionamento. É exigente e sabe tirar o melhor de cada um deles, sem perder o lado humano.
Oliver, stylist e chefe de Sutton, também cria uma relação de carinho e cumplicidade com sua pupila. Bonito de ver os ensinamentos que ele passa e até conselhos amorosos.

Maternidade
É um assunto sobre o qual adoro falar. Na série ele aparece através da Jacqueline, editora de sucesso da revista Scarlet, que divide a vida profissional e o casamento com dois filhos.
Sutton também aborda esse tema quando perde um bebê e se sente aliviada. Ela então se dá conta de que não quer ser mãe e isso se torna uma questão no seu casamento.
Outro viés desse assunto aparece quando Jane descobre, aos 26 anos, que possui uma mutação genética que indica grande chance de ter câncer de mama e, entre outras decisões difíceis que terá de tomar, precisa pensar sobre se quer ter filhos ou não para poder congelar óculos.

Bem, esses são alguns pontos que achei interessante destacar. Mas na série ainda se fala muito sobre sexismo, racismo, diversidade, rótulos, sexualidade… Tudo envolvido de humor, amizade das protagonistas, bons drinks e, claro, Nova York, que é sempre um charme.
As quatro temporadas estão disponíveis na plataforma e já espero por uma quinta em breve. Mal terminei e já me sinto órfã da série. Quem também se sente assim quando termina uma que gosta muito?

Um brinde aos 35 🍸

Me peguei lembrando de quando estava completando 25. Toda expectativa que as pessoas geralmente colocam sobre os 30 anos, eu coloquei nos meus 25. Havia criado todo um cenário de vida perfeita: bem sucedida no trabalho, com um super salário e morando sozinha no próprio apartamento. Aquela fórmula pronta de estudo, carreira, sucesso e dinheiro que nos enfiam guela abaixo a vida toda.

Eis que agora, dez anos depois, a poucos dias de completar 35, fiz novamente um balanço. Como eu era boba naquela idade. Não sabia metade do que estava por vir. Mas aquela menina que pouco sabia foi importante e faz parte de quem sou hoje.

Minha vida não é como a que eu esperava ou idealizava lá atrás. Ela é muito melhor. É perfeita? Não. Significa que não haja pontos que devam ser mudados ou com os quais não estou totalmente realizada? Sim. Mas tudo isso faz parte da pessoa que estou construindo.

Hoje sou muito feliz com tudo que fiz e como me transformei nesses anos. O destaque vai para meu lado mãe, que é o melhor dos meus papéis. E foi com ele que pude viajar internamente e revelar tantas coisas escondidas, trazer à tona partes de mim que eu nem sabia existir.

Minha viagem pelo autoconhecimento está no começo ainda, mas já diz tanto sobre a minha jornada e meu papel aqui. Os 35 vêm como um marco. Não mais a juventude e imaturidade dos 20, ainda não tão sábia e madura como acredito que sejam os 40. Mas no melhor que posso ter dos meus 30 e poucos. Não há tempo melhor do que o presente. E é esse que quero viver com todas as dores e delícias que me traz. Um brinde aos 35!

Bota branca como usar

De tendência polêmica à queridinha da estação, é assim que podemos definir as icônicas botas brancas. Elas que já foram chamadas de botas de paquita (quem lembra?), hoje ocupam lugar de destaque nos looks mais cool das fashionistas hoje

Mas, apesar disso, pode surgir muita dificuldade na hora de combinar e editar os looks com bota branca, por isso, reuni aqui algumas formas bacanas para se inspirar e adotar nos seus looks.

Curti muito alguns looks enquanto fiz a pesquisa de imagens para o post. Procurei incluir mais alguns looks que considero básicos e mais fáceis de reproduzir no dia a dia, mas também tem alguns mais chiques e arrumados para quem curte essa proposta!

Meu mundo cinza

Tenho dificuldade de usar cores. Venho me observando há algum tempo e essa característica vinha se mostrando cada vez mais forte. Sempre amei um pretinho neutro e básico (amplio o leque para cinza e azul marinho). Dia desses, me lembrei de uma frase da minha mãe: “Ai, filha, você só usa preto. Escolhe outra cor”. Analisando essa lembrança, constatei que essa característica me acompanha há bastante tempo (visto que já faz sete anos que minha mãe se foi).

Porém, tenho notado que isso passou a me incomodar. Como já escrevi aqui antes, a moda – e, consequentemente, as cores – tem o papel de traduzir um estilo e também estado de espírito naquele dia. Talvez por isso tenha surgido a necessidade de incluir cores nos meus dias.

Não quero ser todo dia apenas cinza (apagadinha e sem graça), preto (apesar de elegante, também pode passar a imagem de uma pessoa muito fechada e até mesmo em luto), ou marinho (básica sem chamar atenção). Quero trazer luz, irradiar cores e mostrar nos meus looks do dia que também posso ser pink, roxo ou verde-água, por exemplo. Cor da qual eu gosto muito, inclusive. Houve um tempo em que usei com bastante frequência, mas depois enjoei e aboli do armário.

Já é tão automático pra mim, que, ao escolher uma nova peça, nem penso, “vou pegar o preto mesmo que não tem erro”. Mas, aos poucos, devagarzinho, vou mudando essa realidade. Já tenho peça rosa, púrpura, verde erva doce… E gosto delas. E, o mais legal de brincar com as novas cores é descobrir as combinações e como elas se encaixam com as minhas antigas peças neutras. Pudera, não é tão difícil fazer combinações com preto, cinza ou marinho.

Dia a dia, assim como novos hábitos que exigem paciência, treino e persistência, incluo uma peça de cor no meu look. O próximo passo nessa busca que também entra no âmbito do autoconhecimento é fazer uma análise cromática. Quando fizer, conto aqui. E espero ampliar meu mundo que era cinza para um lindo arco-íris, com todas as cores que tenho direito.