Busca pela missão de vida

Muito se fala sobre missão e propósito de vida. Sempre pensei muito sobre isso e, sinceramente, ainda não descobri os meus. Aquele principal, da vida mesmo, que vai fazer sentido na minha trajetória.

Mas eu sei que me descobri e me reconheci em uma linda missão que é ser mãe. O amor, a alegria, encantamento e aprendizados que esse papel me traz são inesgotáveis. E, sem falsa modéstia, eu venho desenvolvendo muito bem essa faceta. Ainda estou só no começo, é verdade, mas já sinto que peguei a trilha certa.

O caminho é longo e pode ter umas pedrinhas no caminho. Mas quando tem intenção e leveza, não tem como dar errado.

Então, ainda que eu nunca encontre meu propósito, já terei me encontrado e reencontrado inúmeras vezes dentro dessa longa estrada que é ser mãe.

Os incríveis 3 anos

Se os 2 anos são considerados a adolescência dos bebês e chamados de terríveis 2 (em referência ao terrible two, em inglês), por aqui não teve nada disso. Em compensação, os 3 anos vieram cheios de emoções e mudanças.

Foi o momento de dar tchau para a chupeta, para a fralda, o quarto passou pela transformação de quarto de bebê para quarto de criança, com cama de solteiro. E, por falar em quarto, é lá que agora ele dorme todas as noites. E é lá que ele quer continuar quando acorda assustado no meio da noite; prefere minha presença ali ao lado dele do que correr para a minha cama.

São cada vez mais palavras, conversas e percepções novas. Ele já se enxerga como indivíduo, que tem sentimentos e vontades.

Foi também o ano em que enfrentamos uma internação na UTI que nos deixou marcas, mas que também nos fortaleceu e ensinou muito, além de aumentar ainda mais nosso laço e conexão.

Foi aos 3 anos que ele vivenciou a primeira festinha da amiguinha da escola. E como ficou feliz de de estar brincando com todos os amiguinhos com quem passa boa parte dos dias.

Me peguei pensando em tudo isso esses dias e fiquei reflexiva, relembrando tudo, pensando na importância desses marcos, como isso contribui para o crescimento e amadurecimento dele. Mas também me pega um pouco de jeito porque cada vez mais vou me distanciando do bebê (que ele já não é há muito tempo, sei disso – ele mesmo gosta de dizer que é um menino grande), que cresce mais a cada dia.

Ainda tem alguns meses até que acabem os 3 anos e outras coisas ainda devem acontecer. Mas, por enquanto, já posso dizer que são incríveis 3 e que vão ficar marcados na minha memória como fase de transição do bebê para o “menino grande”, como ele diz, me deixando saudade das fases que passaram, mas também me enchendo de orgulho do grande menino que ele está se tornando.

Sono compartilhado

Quando a gente se torna mãe, passa a conhecer conceitos que antes nem imaginava. Um deles é o sono compartilhado, quando o bebê / criança dorme no quarto dos pais.

Quando chegou da maternidade, meu filho passou a dormir em um um mini-berço no meu quarto, por sugestão da pediatra e também porque nos sentíamos mais seguros assim, já que ele era prematuro, além de tudo.

Ele foi crescendo, o mini-berço diminuindo, ele aprendeu a pular o tal do berço e muitas vezes dormia na nossa cama. Aos seis meses, a pediatra já tinha dito que ele estava preparado para ir para o próprio quarto. Mas aquela comodidade, misturada com uma preguicinha de ensinar a criança a dormir sozinha, ter que perder noites de sono novamente, quando tudo já caminhava muito bem – obrigada, não era uma opção atraente.

O mini-berço então deixou de servir; pelos motivos acima tive a ideia de colocar o colchão do berço ao lado da minha cama. Assim, ele estaria no meu quarto, mas teria sua “própria cama”.

Lá se foram 3 anos e meio (😂). É, minha gente, maternidade é isso: pagar a língua no crédito e no débito!

Agora ele já tem uma cama de solteiro, com seu telhado e tendinha. Estava todo animado no início. Mas na hora do vamos ver, ficou desconfiado, assustado. Não queria dormir. Já são quatro noites que ele pega no sono na própria cama, no próprio quarto. Do jeito que eu imaginava: eu ali do ladinho dele, depois de contar uma história ou assistir um desenho juntos.

Ele ainda levanta de madrugada e vai correndo pra minha cama. Também pudera, tanto tempo fazendo isso, não é de se esperar que ele vá mudar de uma hora pra outra, né? A sensação é de ver o tempo voar, ver meu menino crescer, se tornar autônomo e independente. E, apesar da nostalgia de perder meu bebê, vem o orgulho da criança que ele está se tornando e do trabalho que fazemos como família. Com sono compartilhado ou não, o importante é ele saber que sempre vai ter um colo quentinho pra correr quando ele quiser.

Um brinde aos 35 🍸

Me peguei lembrando de quando estava completando 25. Toda expectativa que as pessoas geralmente colocam sobre os 30 anos, eu coloquei nos meus 25. Havia criado todo um cenário de vida perfeita: bem sucedida no trabalho, com um super salário e morando sozinha no próprio apartamento. Aquela fórmula pronta de estudo, carreira, sucesso e dinheiro que nos enfiam guela abaixo a vida toda.

Eis que agora, dez anos depois, a poucos dias de completar 35, fiz novamente um balanço. Como eu era boba naquela idade. Não sabia metade do que estava por vir. Mas aquela menina que pouco sabia foi importante e faz parte de quem sou hoje.

Minha vida não é como a que eu esperava ou idealizava lá atrás. Ela é muito melhor. É perfeita? Não. Significa que não haja pontos que devam ser mudados ou com os quais não estou totalmente realizada? Sim. Mas tudo isso faz parte da pessoa que estou construindo.

Hoje sou muito feliz com tudo que fiz e como me transformei nesses anos. O destaque vai para meu lado mãe, que é o melhor dos meus papéis. E foi com ele que pude viajar internamente e revelar tantas coisas escondidas, trazer à tona partes de mim que eu nem sabia existir.

Minha viagem pelo autoconhecimento está no começo ainda, mas já diz tanto sobre a minha jornada e meu papel aqui. Os 35 vêm como um marco. Não mais a juventude e imaturidade dos 20, ainda não tão sábia e madura como acredito que sejam os 40. Mas no melhor que posso ter dos meus 30 e poucos. Não há tempo melhor do que o presente. E é esse que quero viver com todas as dores e delícias que me traz. Um brinde aos 35!