Chá de bebê virtual durante a pandemia

chá de bebê virtual

Ontem falei sobre as grávidas que estão passando por dificuldades esperando bebê durante a pandemia. Com o isolamento social, muitas não puderam ter o sonhado chá de bebê ou chá de fraldas para reunir a família e amigos e ganhar presentes para contribuir com o enxoval.

Essa semana conheci uma plataforma que pode ajudar as famílias quanto a isso. A EuNeném funciona mais ou menos como a lista de casamento: a mãe cria uma lista de presentes e envia convites para as pessoas; os convidados acessam a lista e presenteiam virtualmente com o que gostariam de dar; a mãe recebe o valor dos presentes em dinheiro e pode usar o crédito para comprar o que quiser.

Com a mudança de comportamento causada pela pandemia, a plataforma pode ser uma ótima alternativa para ajudar as mães nesse momento. Qualquer pessoa pode criar uma lista de presentes sem nenhum custo, só é cobrada uma taxa a partir do momento em que forem recebidos os presentes.

Funções que antes eram pagas, como criação de convites personalizados e gerenciamento do controle de envio e recebimento dos convites, estão liberadas de forma gratuita para ajudar as gestantes neste momento.

Para as mães que estão fazendo enxoval sem poder sair de casa e também não poderão fazer festa, a ferramenta pode ser de grande ajuda. Além disso, é uma forma de fazer as pessoas queridas que estão longe fisicamente participarem desse momento tão especial na vida da família, que é a chegada de um bebê.

Imagem: Pinterest

Como o isolamento social impacta a aprendizagem das crianças e a rotina das famílias

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Com a chegada do isolamento social, vieram novos hábitos aos quais fomos nos adaptando aos poucos. Lidar com as crianças em casa, o serviço doméstico e o home office – tudo junto e ao mesmo tempo – tem sido desafiador para muitas famílias. Somado a isso, ainda vieram as aulas on-line, exigindo dos pais maior atenção para apoiar as crianças.

No caso do Otto nem posso dizer que é exatamente uma aula porque ele ainda não está na fase de alfabetização. Mas todos os dias temos uma pequena programação para fazer com as crianças.

O fato é que esse é um cenário completamente novo e desconhecido para todos, e não sabemos o jeito “certo” de fazer.

Na escola do Otto tem sido assim: diariamente a professora envia uma atividade como receitas, histórias, brincadeiras, dobraduras etc e sugere que os pais façam com as crianças e enviem fotos para que elas vejam o que os alunos têm feito. Às sextas, todos entram on-line no Google Meeting para um bate-papo rapidinho e as crianças terem contato com os coleguinhas e as professoras. As atividades são válidas para estimular a aprendizagem e serve também para momentos de conexão entre pais e filhos.

No caso de crianças que ainda não estão em fase de alfabetização será mesmo necessário? Além do pouco interesse da criança, gera uma ansiedade enorme nos pais (digo por mim) de precisar cumprir a tarefa, encaixá-la na lista de outras tantas de todo dia, enviar a foto para mostrar para a escola que o esforço da professora não foi em vão e não sou uma péssima mãe que não cumpriu a tarefa do dia. Também sinto pelos professores, sei do enorme esforço que tem sido feito num espaço curto de tempo sem as ferramentas necessárias para tentar tampar esse buraco.

Vejo aqui um cenário difícil para ambos os lados: professores tendo que criar conteúdos e tendo que desenvolver habilidades que não tinham ou não eram necessárias antes, como gravar e editar vídeos, utilizar ferramentas antes desconhecidas, criar conteúdo novo diariamente para nos enviar; do outro lado, pais vivendo a loucura que citei no início do texto e tendo que lidar com a ansiedade de dar conta de todas as atividades e não deixar nada por fazer.

Minha reflexão aqui é: por quanto tempo ainda vamos suportar esse cenário? Não sabemos até quando a pandemia e o isolamento social ainda vão continuar. Tenho acompanhado mães compartilhando suas dores nessa questão de homescholing e sempre sinto um peso, uma preocupação grande. E mais, no caso de crianças na fase do Otto, em que toda a aprendizagem é baseada na convivência, na inserção da criança no ambiente social com outras crianças (em como sentar com o coleguinha, não bater, não tomar o brinquedo do outro e etc) faz sentido continuarmos com essa programação?

Sei que tem o outro ponto de vista também. Alguns pais não sabem mais o que fazer com os filhos dentro de casa e essa é uma alternativa para burlar a falta de criatividade e opções de atividades. É preciso também manter as escolas, os salários dos professores e de tantos profissionais envolvidos para fazer essa engrenagem rodar. Mas é um assunto em que tenho pensado bastante ultimamente, e resolvi compartilhar aqui para gerar essa reflexão.

Como tem sido por aí? Compartilha aqui comigo sua experiência, deixe seu comentário!

Pensamentos durante a pandemia

No início da pandemia, li um texto comparando tudo que estávamos passando durante o isolamento a um período de luto. Ele tinha estágios pelos quais pessoas de luto passam.

Negação, aceitação e negociação estavam entre esses estágios. Hoje, mais de um mês em distanciamento social, acho que já consigo enxergar a situação em perspectiva e as ideias (um pouco) mais organizadas.

Passei por esses três estágios que citei acima. Primeiro quando me neguei a enxergar que algo muito sério estava por vir. Mas quando percebi, não tive dificuldade em aceitar. Aliás, acho que essa é a principal característica para evitar maior sofrimento. A Negociação acho que vivo até agora, tentando entender quanto tempo isso ainda vai durar. Mas nunca lutando contra esse momento que estamos vivendo, nem tentando apertar o botão de avançar do controle remoto para pular essa parte. Acredito que tudo tem um porquê e acontece para nos trazer ensinamentos e nada melhor do que viver um dia de cada vez. Ao contrário, tenho tentado viver de maneira mais desperta, aprendendo com tanta coisa que vem acontecendo, tantos novos hábitos que certamente vieram para ficar, e o melhor: vivendo intensamente cada momentinho ao lado do meu filho e meu marido.

Isso quer dizer que tem sido fácil e todos os dias são bons e alegres? Claro que não! Por aqui também tem tristeza, desânimo, vontade de fazer nada, largar tudo e sair correndo. De chorar. De entender os porquês. Mas não temos todas as respostas. E nada dura para sempre, nem os dias ruins. Então me permito viver um dia triste, aceito e acolho esse sentimento, mas no dia seguinte, acordo bem, me arrumo e mudo o astral. É um novo dia e uma nova oportunidade.

Que esse período nos faça enxergar também as coisas boas, as oportunidades que podem surgir de períodos de crise. Que aceitemos o quanto antes a nova era que vem chegando. E que sempre haja um novo dia feliz para que possamos despertar e sair do estado de luto em que nos colocamos.