Dica de série: O Paraíso e a serpente

Pode conter spoiler

A série da Netflix que está nos últimos dias entre os top 10 e tem sido comentada nas redes tem oito episódios de aproximadamente uma hora cada. Mas você fica tenso e grudado na tela, especialmente nos três primeiros episódios.

A história, que é baseada num caso real (guarde bem essa informação), se passa em Bangkok, na Tailândia dos anos 70. Um homem que se apresenta como Alain Gautier (mais adiante descobrimos que o verdadeiro nome é Charles Sobhraj, vendedor de gemas, leva a vida aplicando golpes em jovens do mundo todo que viajam ao país a passeio.

Ele é sedutor, convincente, sabe levar as pessoas no papo, e quando se vê, não restou nada para contar história. Ele dopa as pessoas colocando remédio nas bebidas e leva tudo que elas têm.

Mas ele não faz isso sozinho. Tem a ajuda do comparsa Ajay e da companheira Monique (ou Marie-Andrée) que o fazem passar por um homem de negócios bem sucedido e contribuem em todo o esquema.

Ele faz tudo com muita frieza e não procura se esconder de ninguém. Até que ele aplica o golpe e mata um jovem casal de holandeses. Esse caso cai nas mãos do incansável diplomata holandês que trabalha na embaixada da Tailândia, Herman Knippenberg, que sente cheiro de coisa estranha e começa a investigar.

Ele enfrenta muita resistência por parte das autoridades e inclusive da própria embaixada, mas não desiste e pouco a pouco vai desenrolando essa história, que passa a ficar pior quanto mais se descobre.

Afeganistão, Nepal e Índia são outros lugares por onde Alain passa cometendo seus crimes impunemente. Com a ajuda do casal francês Nadine e Remi, Knippenberg consegue reunir provas e monta um dossiê associando Alain a diversas mortes de jovens europeus.

O mais chocante é a tranquilidade e frieza de Alain para agir. Tanto Mariée quanto Ajay têm crises de consciência em alguns momentos. Mas ele não. Não demonstra tristeza, remorso, amor, compaixão, nada.

A história leva anos para ter um desfecho, mas ele acontece. Talvez não da maneira que se espera, mas acontece. E o que eu falei no início do texto sobre ser baseado em fatos reais, é que mais chocante ainda é pensar que esse homem existe e praticou todos esses crimes da maneira como foi retratado. Todos os personagens são reais (inclusive o macaquinho de estimação que aparece), apenas tiveram os nomes trocados para preservar sua intimidade. No fim, aparecem relatos sobre onde estão cada um deles. Emociona de ver.

Filme: Fuja

Sarah Paulson interpreta Diane, uma mãe superprotetora que cria a filha, Chloe, cadeirante – e portadora de doenças como asma, diabete e arritmia – longe de tudo e de todos. Ela estuda em casa e recebe ali todos os cuidados necessários.

Chloe é independente e se vira bem sozinha nas atividades diárias. Está sonhando com a hora de ir para a universidade e aguarda ansiosamente a resposta de sua aplicação.

Elas parecem viver muito bem – exceto pelo fato de Chloe não ter celular e não poder usar a internet sem a supervisão da mãe. Até que um fio solto chama atenção de Chloe. Sob a desculpa de troca de medicamento, Diane tenta dar à menina um remédio que ela descobre mais tarde ser algo perturbador.

O filme tem doses de suspense e mistério na medida. Sob a fachada de mãe dedicada e que ama muito a filha, aos poucos ela começa a revelar a verdadeira face e praticar abusos psicológicos com a menina.

O tempo todo o espectador se pergunta (pelo menos eu me perguntei rs) a possível explicação para Diane fazer tudo que faz com a filha. Existe um porquê, mas nada que justifique tamanha crueldade (e não vou detalhar para não dar spoiler rs). É um filme que prende, desperta curiosidade e flui super bem, apesar da temática de suspense e mistério. O final é surpreendente.

Obs.: O filme está disponível na Netflix

Dica de série: Trump, um sonho americano

Recentemente assisti a esse documentário sobre a vida de Donald Trump, presidente americano, após ouvir uma recomendação e ficar curiosa sobre a história. Não quero e nem tenho embasamento para falar sobre política, mas o que me chamou atenção aqui foi a história de vida dele.

O documentário disponível na Netflix é dividido em quatro capítulos de mais ou menos uma hora cada. Ele mostra como Trump, filho de um empreiteiro que fez a vida construindo prédios populares em Nova York trilhou seu caminho e chegou à presidência da economia mais importante do mundo.

Desde jovem ele se interessou pelos negócios do pai e seguiu o mesmo caminho, mas sempre buscando superar as conquistas do pai. Tudo dele é superlativo: o maior hotel, o maior edifício, o maior cassino, enfim.

Se mostrou obstinado desde cedo, sempre acreditando nas próprias ideias por mais malucas que elas parecessem. Teve alguns tropeços financeiros no meio do caminho. Flertou com a presidência outras três vezes antes de se candidatar de fato. E chegou a afirmar: “Só vou me candidatar quando eu tiver certeza que vou vencer”.

É polêmico na mesma proporção em que gosta de estar em evidência: se casou três vezes com festas cheias de ostentação, clichês e uma dose de cafonice. A primeira separação foi um escândalo de traição que repercutiu fortemente nos jornais de todo o país.

Gosto de assistir/ler biografias e saber um pouco mais da história de figuras assim. Não sabia quase nada da vida do Trump. E independentemente de ser favorável a ele ou não, é preciso reconhecer o autocontrole e a capacidade de projetar um sonho e conseguir alcançá-lo. Obstinação, fé (e não falo em religião, mas sim de acreditar que é possível, que se pode chegar lá, e de fato chegar) e um planejamento minucioso de cada passo.

E como ninguém é unanimidade, há depoimentos de antigos funcionários, amigos e pessoas próximas. E as opiniões são variadas: uns gostam, outros não. Como em tudo na vida.

O documentário vem à tona bem no momento em que ele deu início à corrida presidencial para tentar sua reeleição. Vamos ver o que esse capítulo da história mundial nos reserva.

Dica de série: Sunset – Milha de Ouro

A dica de hoje não é uma série super profunda, com conceitos complexos e que façam a gente pensar. É justamente o oposto: uma série para não pensar em nada, só relaxar e entreter. A bola da vez é Sunset – Milha de Ouro, disponível na Netflix.

Já estava de olho nela, mas ainda não tinha tido oportunidade de começar a assistir. Esse fim de semana estava de bobeira e já devorei quase todos os episódios! Rs A série mostra a vida de mulheres que trabalham como corretoras de imóveis em uma imobiliária de altíssimo luxo em Los Angeles, nos EUA (os valores das casas são astronômicos, chegando a 50 milhões de dólares!).

Aqui dá pra sentir um pouco do clima da série

As protagonistas são lindas, vestidas de grifes caras da cabeça aos pés, andam em carrões – uma delas é casada com o astro da série This is Us e mostram parte de sua vida e do trabalho na correta. Com uma pegada à la Kardashians, elas vivem dramas pessoais e intrigas entre elas mesmas.

O que chama atenção, na minha opinião, é poder ver e me deliciar com casas lindas, bem decoradas que mais parecem cenários de filmes, mas que são moradia da nata de LA. Como fashionista assumida, é quase como assistir a um desfile de moda com tantas marcas incríveis como Balenciaga, Chanel, Valentinho e Louis Vuitton em looks que vão do “normalzinho” até o mais statement (chamativos e com muita informação de moda) com bolsas e sapatos incríveis. Além, é claro, das discussões entre elas (o que não falta em nenhum episódio) que dão aquela pitada de barraco que a gente adora! Rs

Mas não só de glamour e ostentação vive a série. Há também os dramas pessoais, como uma das protagonistas, Mary, que foi mãe solo aos 16 e deu duro para criar o filho sozinha; Amanza, que se separou com os filhos ainda pequenos e também batalha para conseguir cuidar e sustentar os dois; e ainda Maya, que é casada, mas seu marido vive em Miami, e, com um filho pequeno, se divide entre as duas cidades para dar conta da família e do trabalho.  

São três temporadas – a terceira recém-lançada em agosto – com episódios de mais ou menos 30 minutos que passam sem ver se você se entregar e se divertir com essas Barbies da vida real. Vale para relaxar a mente!

Você já assistiu? Me conta aqui nos comentários o que achou!

Dica de série: Chesapeake Shores

chesapeake shores

Terminei essa série fofa que comecei sem nenhuma pretensão, achando mais ou menos no começo, mas que me pegou. Tipo romance leve, água com açúcar, delícia de ver antes de dormir.

Conta a história de uma família de cinco filhos com pais separados que carregam uma ferida profunda pela partida da mãe. Cada um deles mora em uma cidade diferente, até que todos voltam a morar em Chesapeake Shores, a cidade fictícia que dá nome à série.

A protagonista Abby é mãe-solo e profissional bem-sucedida do mercado financeiro que vive a vida agitada em Nova York, onde se divide entre o trabalho e o cuidado com as duas filhas, Carrie e Caitlyn. Após passar o verão na casa do pai, quando percebe que não dá mais para viver no ritmo alucinado em que estava, decide voltar e retomar uma vida mais tranquila em Chesapeake Shores e assim poder ver suas filhas crescerem.

Abby tem muito em comum  com tantas mães como nós, vida real: batalha duro para dar uma vida confortável para as filhas, ao mesmo tempo em que sente que está perdendo muito  da vida das meninas (a culpa materna), aqueles pequenos momentos que às vezes passam despercebidos quando somos atropeladas pela vida corrida. Ela é boa mãe, mas quer ser perfeita (quem nunca?) e a certa altura da história se desgasta entre trabalho, filhas e outras atividades que se propõe a organizar para proporcionar boas memórias para as filhas, como piqueniques e caça às narcejas no quintal de casa. Com o tempo, ela percebe que está desempenhando um bom papel como mãe e que ela não precisa ser perfeita para isso.

Megan é mãe de Abby e seus irmãos. Após anos de um casamento turbulento com Mick, cheio de brigas e desentendimentos, ela vai embora da cidade deixando o marido e os filhos adolescentes. Após 17 anos ela retorna para tentar retomar a relação e os laços de afeto com os filhos. Mas, apesar de explicar suas motivações para ter partido, não é tão fácil ganhar o coração de todos.

É uma série leve e bonita, que mostra as dificuldades de relacionamento de uma família, assim como de tantas outras. Diferenças de temperamento, buscas internas de cada um, conquistas, desentendimentos, casa cheia, piadas internas de irmãos… Muito gostosa de assistir. Foi minha companheira nas últimas semanas e já estou sentindo falta. São quatro temporadas na Netflix, vale a pena assistir!