A importância do lúdico em período de isolamento

Já é sabido da importância do brincar e que crianças aprendem através de brincadeiras e vivências. Também já foi comprovado cientificamente que brincar não faz bem apenas para as crianças, mas também para os adultos: alivia o estresse.

Hoje, nesse contexto que vivemos, em que pais e filhos passam cada vez mais tempo juntos em casa, pode ser desafiador conciliar trabalho e brincadeiras com os filhos.

Nesse momento, qualidade é melhor que quantidade. Mais vale tirar pequenos períodos do dia para dar atenção às crianças, com brincadeiras curtas, mas de verdadeira interação por parte dos pais, do que passar o dia apagando incêndios, tentando fazer a criança se distrair enquanto você tenta trabalhar. Estabelecendo isso como rotina, eles passam a entender que tem o tempo deles, mas também tem os momentos em que precisam brincar sozinhos.

Aqui em casa já retomamos as aulas presenciais. Otto passa meio período na escola. Chega em casa por volta de 14h30, toma banho, faz um lanche e então tem a tarde livre para brincar. Como já gastou bastante energia na escola, fica tranquilo, brinca bastante sozinho.

Geralmente procuro deixar esse tempo para estar com ele. Mas se preciso trabalhar no computador, por exemplo, sento perto dele e ele me vê enquanto brinca, percebo que isso o deixa mais calmo.

À noite, começamos com a rotina de leitura antes de dormir visando diminuir o tempo na frente da televisão, que acaba agitando muito as crianças. Ele se mostrou bem animado com a novidade. Após a leitura, luzes apagadas e hora de dormir. São momentos de conexão entre nós e de tranquilidade minutos antes de pegar no sono, o que o faz dormir melhor.

Além de toda importância para o aprendizado e desenvolvimento, o brincar também deixa memórias e cria laços. Ainda que não se esteja brincando junto, é importante interagir, mostrar interesse. No futuro, esses vínculos estarão fortalecidos e esse período deixará boas memórias de um tempo caótico lá fora, mas de amor e companheirismo aqui dentro.

Teatro: Mãe fora da caixa

A atriz Miá Melo estrela esse monólogo baseado no livro homônimo da escritora Thaís Vilarinho (que também tem o insta @maeforadacaixa) e que trata desse assunto tão amplo e que traz emoções das mais variadas: a maternidade.

O enredo da peça gira em torno da mãe de uma menina de 7 anos que se vê frente a frente com um teste de gravidez, prestes a descobrir se terá outro filho. Nesse meio tempo, ela relembra toda jornada até ali: o bebê recém-nascido, as noites em claro, as primeiras palavrinhas e o desabrochar do amor incondicional.

É impossível não se identificar com, ao menos, uma das situações descritas. Posso falar por mim, que me enxerguei em quase todas. Algumas um pouco levadas ao extremo do extremo (na minha percepção), podendo assustar um pouco quem ainda não é mãe ou pai, mas não por isso menos engraçado ou totalmente fora da realidade.

Miá interage muitas vezes com o público ao longo da peça. Havia mães, pais e “não-mães e não-pais” e todos se envolveram e se emocionaram, riram e choraram. Em alguns momentos achei que a história dela se misturava à da personagem, tamanha troca dela com o público, dividindo também situações pessoais de seu maternar.

São abordados temas como puerpério, ainda pouco falado, mas tão importante da vida das recém-mães; o construção do amor incondicional (já falei sobre o tema aqui); os pitacos e palpites disfarçados de “dicas” que todo mundo adora dar para as mães; a culpa; os julgamentos; a loucura dos primeiros meses com um recém-nascido…

E para finalizar de maneira especial, essa foi a primeira sessão após a pausa do teatro por conta da pandemia de coronavírus. Miá ficou muito emocionada, contagiando o público que também estava ali se adaptando a essa nova forma de curtir o entretenimento. Mas de maneira segura e responsável.

Não vejo motivos para não assistir a essa peça que fica em cartaz até dia 22/11, no Teatro das Artes, dentro do Shopping Eldorado. Sessões às sextas, 21h, e sábados e domingos, às 17h30.

Sobre se perder e se encontrar na maternidade

Senti que a maternidade nos rouba um pouco de nós mesmas. Com a chegada do filho, deixamos um pouco de lado quem costumávamos ser para abrir espaço a uma nova pessoa, uma mãe que nasceu.

Ainda que se tenha uma super rede de apoio, é atrás da mãe que a criança vai no banheiro, naqueles (supostos) únicos momentinhos de paz, é a mãe que leva a criança junto em todos os compromissos quando não tem com deixar e é a mãe que normalmente passa a maior parte do tempo cuidando, brincando e amparando.

No meio dessa rotina, em dias mais intensos em que passo o tempo todinho com meu filho, tem hora que pareço não escutar meus próprios pensamentos, tamanha energia e atenção demandadas.

Outro dia dei uma saidinha rápida enquanto ele estava na escola: fui até o laboratório tirar sangue (programão). Entrei no carro, liguei o som alto, sentindo o vento no rosto, fui pensando na vida, nos meus sentimentos… E me dei conta: essa sou eu novamente. Curtindo um momentinho que seja da individualidade que eu tanto prezo.

A maternidade tem dessas coisas. Mas à vezes é bom voltar a enxergar algo que tínhamos, era tão comum e que talvez não tenhamos dado a devida importância. Para, então, agora perceber o privilégio que é viver esse momento, ainda que só por alguns instantes e se sentir grata por isso…

Dica de série: Little Fires Everywhere

little fires everywhere

ATENÇÃO! ESSE TEXTO CONTÉM SPOILER!

No último fim de semana terminei essa série que, ao que me parece, está se tornando a última sensação. Little Fires Everywhere, disponível na Prime Video, fala sobre racismo, maternidade, rivalidade, privilégios e me prendeu do começo ao fim.

Elena, a jornalista interpretada por Reese Whiterspoon, é casada com Bill, com quem tem quatro filhos, mora numa linda casa e vive uma vida que – parece – perfeita. Mia, vivida por Kerry Washington, é uma misteriosa artista, mãe-solo que vive com a filha adolescente mudando de cidade em cidade e parece ter um segredo escondido.

Suas vidas se cruzam quando Mia aluga a casa de Elena, e esta oferece um emprego para a artista no que diz ser uma tentativa de ajudá-la e melhorar sua vida. Enquanto isso, Pearl, filha de Mia, fica amiga dos filhos de Elena e se encanta com sua família perfeita.

Como já falei, essa série aborda alguns temas, mas quero me aprofundar em um deles: a maternidade. São retratadas duas formas diferentes de maternidade. Não significa que uma seja certa e outra errada, mas são diferentes. Elena cuida da casa e da família com muito amor e quer que todos sigam a fórmula do que é ser perfeito em sua concepção. Nesse interim acaba deixando escapar fases e acontecimentos importantes da vida de seus filhos. Enquanto isso, na visão de Pearl, sua mãe, Mia, não a prioriza da maneira que ela acha que deveria ser e, apesar de amar a filha e não deixar faltar o que ela precisa, a menina questiona a mãe quanto ao que, na visão dela, é ser uma boa mãe. O que ela não sabe é que a mãe abandonou a vida que vivia para protegê-la e não perdê-la.

Na ânsia de uma vida perfeita, Elena perde a conexão com seu marido e filhos. A filha mais nova, Izzy, está lidando com a homossexualidade, que Elena não aceita; Lexie está no ensino médio e se apropria da história de Pearl para conseguir ingressar na faculdade e para ocultar sua identidade ao fazer um aborto, que a mãe não percebe que está acontecendo e também não dá espaço para a filha contar; Moody se apaixona por Pearl, que por sua vez, se relaciona com o irmão dele, Trip. Tudo bem embaixo do nariz de Elena, que é incapaz de enxergar.

Em paralelo, acontece a história de Bebe, uma imigrante chinesa que deixa sua filha na porta dos Bombeiros após passar necessidades com a menina e na esperança de que ela tivesse uma vida digna. A família adotiva da filha de Bebe é da melhor amiga de Elena. A história vai parar no tribunal. E a questão que não quer calar é: Quem é mais mãe nesse caso?

Por fim, a relação conturbada de Elena com Izzy parece ter um por que. Quando tinha três filhos, a jovem jornalista retorna feliz ao trabalho após o fim da licença-maternidade. Completa com suas três crianças, ela declara não querer mais uma. Porém, ela logo descobre a quarta gravidez e carrega isso como um peso. No fim da história chega a declarar, numa cena triste e forte, que não gosta da menina e odeia ser mãe dela.

Não vou me alongar mais. É uma série intensa e intrigante. São apenas oito episódios que, em minha opinião, valem muito a pena. Já assistiu? Me conta aqui nos comentários!

A síndrome de Mulher-Maravilha – e o que ela pode causar

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Vivemos num tempo em que a mulher pode tudo. Ela pode ser quem ela quiser. Ela pode fazer o que bem entender da própria vida. E num momento em que feminismo x machismo vem sendo cada vez mais debatido, surge certa ansiedade da nossa parte de ter que dar conta de tudo.

Afinal, você pode ser o que quiser. E pode mesmo, mas será que para isso precisamos abraçar o mundo? Não vou mentir, me sinto o máximo quando consigo dar conta de tudo o que me proponho a fazer: trabalhar, cuidar do filho, da casa, do marido, fazer mercado, carregar 50 sacolas, mochila e carrinho de bebê. Mas também me sinto péssima quando tudo não sai como esperado.

O que é absolutamente normal: não sair como esperado. A vida é feita de altos e baixos, dias bons e dias ruins. E essa é a graça da coisa. Mas quando a gente passa a se punir porque não deu certo, deixa de ser saudável.

Deve haver um equilíbrio aí. Como em tudo na vida. Seja foda sim, faça tudo sim, o que quiser e da maneira que achar melhor. Mas se permita parar, desacelerar, pedir ajuda. A rede de apoio é essencial aqui. Marido, mãe, sogra, funcionária ou com quem quer que você possa contar.

Permita ter uns momentos só para você: dez, quinze minutinhos por dia, uma vez na semana, sempre que der. Se presenteie com momentos só seus, para fazer o que você gosta e te dê prazer. Pode ser fazer as unhas, ler um livro, parar um minutinho pra tomar um chá em silêncio… Isso é muito importante para você – e para sua família também. E assim você vai se tornando uma pessoa melhor, mais leve, criando a SUA própria versão da Mulher-Maravilha.