Dica de série: Little Fires Everywhere

little fires everywhere

ATENÇÃO! ESSE TEXTO CONTÉM SPOILER!

No último fim de semana terminei essa série que, ao que me parece, está se tornando a última sensação. Little Fires Everywhere, disponível na Prime Video, fala sobre racismo, maternidade, rivalidade, privilégios e me prendeu do começo ao fim.

Elena, a jornalista interpretada por Reese Whiterspoon, é casada com Bill, com quem tem quatro filhos, mora numa linda casa e vive uma vida que – parece – perfeita. Mia, vivida por Kerry Washington, é uma misteriosa artista, mãe-solo que vive com a filha adolescente mudando de cidade em cidade e parece ter um segredo escondido.

Suas vidas se cruzam quando Mia aluga a casa de Elena, e esta oferece um emprego para a artista no que diz ser uma tentativa de ajudá-la e melhorar sua vida. Enquanto isso, Pearl, filha de Mia, fica amiga dos filhos de Elena e se encanta com sua família perfeita.

Como já falei, essa série aborda alguns temas, mas quero me aprofundar em um deles: a maternidade. São retratadas duas formas diferentes de maternidade. Não significa que uma seja certa e outra errada, mas são diferentes. Elena cuida da casa e da família com muito amor e quer que todos sigam a fórmula do que é ser perfeito em sua concepção. Nesse interim acaba deixando escapar fases e acontecimentos importantes da vida de seus filhos. Enquanto isso, na visão de Pearl, sua mãe, Mia, não a prioriza da maneira que ela acha que deveria ser e, apesar de amar a filha e não deixar faltar o que ela precisa, a menina questiona a mãe quanto ao que, na visão dela, é ser uma boa mãe. O que ela não sabe é que a mãe abandonou a vida que vivia para protegê-la e não perdê-la.

Na ânsia de uma vida perfeita, Elena perde a conexão com seu marido e filhos. A filha mais nova, Izzy, está lidando com a homossexualidade, que Elena não aceita; Lexie está no ensino médio e se apropria da história de Pearl para conseguir ingressar na faculdade e para ocultar sua identidade ao fazer um aborto, que a mãe não percebe que está acontecendo e também não dá espaço para a filha contar; Moody se apaixona por Pearl, que por sua vez, se relaciona com o irmão dele, Trip. Tudo bem embaixo do nariz de Elena, que é incapaz de enxergar.

Em paralelo, acontece a história de Bebe, uma imigrante chinesa que deixa sua filha na porta dos Bombeiros após passar necessidades com a menina e na esperança de que ela tivesse uma vida digna. A família adotiva da filha de Bebe é da melhor amiga de Elena. A história vai parar no tribunal. E a questão que não quer calar é: Quem é mais mãe nesse caso?

Por fim, a relação conturbada de Elena com Izzy parece ter um por que. Quando tinha três filhos, a jovem jornalista retorna feliz ao trabalho após o fim da licença-maternidade. Completa com suas três crianças, ela declara não querer mais uma. Porém, ela logo descobre a quarta gravidez e carrega isso como um peso. No fim da história chega a declarar, numa cena triste e forte, que não gosta da menina e odeia ser mãe dela.

Não vou me alongar mais. É uma série intensa e intrigante. São apenas oito episódios que, em minha opinião, valem muito a pena. Já assistiu? Me conta aqui nos comentários!

A síndrome de Mulher-Maravilha – e o que ela pode causar

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Vivemos num tempo em que a mulher pode tudo. Ela pode ser quem ela quiser. Ela pode fazer o que bem entender da própria vida. E num momento em que feminismo x machismo vem sendo cada vez mais debatido, surge certa ansiedade da nossa parte de ter que dar conta de tudo.

Afinal, você pode ser o que quiser. E pode mesmo, mas será que para isso precisamos abraçar o mundo? Não vou mentir, me sinto o máximo quando consigo dar conta de tudo o que me proponho a fazer: trabalhar, cuidar do filho, da casa, do marido, fazer mercado, carregar 50 sacolas, mochila e carrinho de bebê. Mas também me sinto péssima quando tudo não sai como esperado.

O que é absolutamente normal: não sair como esperado. A vida é feita de altos e baixos, dias bons e dias ruins. E essa é a graça da coisa. Mas quando a gente passa a se punir porque não deu certo, deixa de ser saudável.

Deve haver um equilíbrio aí. Como em tudo na vida. Seja foda sim, faça tudo sim, o que quiser e da maneira que achar melhor. Mas se permita parar, desacelerar, pedir ajuda. A rede de apoio é essencial aqui. Marido, mãe, sogra, funcionária ou com quem quer que você possa contar.

Permita ter uns momentos só para você: dez, quinze minutinhos por dia, uma vez na semana, sempre que der. Se presenteie com momentos só seus, para fazer o que você gosta e te dê prazer. Pode ser fazer as unhas, ler um livro, parar um minutinho pra tomar um chá em silêncio… Isso é muito importante para você – e para sua família também. E assim você vai se tornando uma pessoa melhor, mais leve, criando a SUA própria versão da Mulher-Maravilha.

#PraMãeQueNasceu | Mães de UTI

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Primeira vez que peguei o Otto, 13 dias após o nascimento

Só uma recém-mãe sabe o que é o nascimento. De uma mãe, de um pai, de uma nova família. Um momento maravilhoso e de muita alegria, mas, ao mesmo tempo, de dúvidas, descobertas, medos, cansaço físico e emocional.

Nessa hora, todos os olhos estão voltados para o bebê, mas a mãe também precisa de carinho e cuidados. Inspirada pelo movimento criado pela Fernanda Floret, do @vestidademae, onde ela nos incentiva a cuidar das puérperas, resolvi falar sobre esse assunto.

O puerpério é difícil para todas as mães. Mas vou falar especialmente sobre as “mães de UTI”. A mãe de UTI tem alta da maternidade sem o bebê. Depois, ela passa a ter uma rotina de hospital: chega pela manhã, faz a ordenha no banco de leite, entra na UTI para ficar com o bebê, espera para falar com o médico (que muitas vezes demora, causando mais ansiedade), volta para o banco de leite, vai ver o bebê novamente, muitas vezes sem poder pegá-lo no colo (no meu caso foram 13 dias), pausa para o almoço, depois recomeça tudo. A maior parte do tempo, ela faz todo esse processo sozinha. Nas ligações e mensagens de whatsapp, todos só querem saber e ver fotos do bebê, quase não perguntam da mãe, como ela está, se precisa de alguma coisa. Muitas vezes, um cafezinho rápido, um bate-papo por mensagem ou só um abraço já são suficientes.

Tudo isso sem falar na montanha-russa de emoções dentro da UTI: cai saturação, estabiliza, ganha peso, perde peso, transfusão sanguínea, a falta de previsão de alta do bebê, enfim… São inúmeros acontecimentos nesse período; às vezes, muitos deles no mesmo dia. E a mãe tem que lidar com toda essa carga emocional.

Quando tudo é ansiedade, insegurança e incerteza, é bom saber que tem pessoas cuidando de você. A tal da rede de apoio. Se você tem uma amiga recém-mãe, cuide dela, leve uma comidinha fresca, um docinho, ofereça um pouco do seu tempo para ficar com o bebê enquanto ela toma banho ou faz as unhas; se ela for mãe de UTI, vá ao hospital visitá-la, converse um pouco, leve-a para tomar café, ou só um ar. Às vezes, uns minutinhos de conversa e desabafo já bastam para ajudar muito.

No Instagram, o movimento criado pela Fernanda Floret está rolando com as hashtags #PraMaeQueNasceu #VestidadeAfeto #EuCuidodaMae. Poste sua foto cuidando de uma mãe no puerpério, vamos ter empatia pelas outras mães e fazer isso virar um costume entre nós!

Dicas para viajar de carro com bebê

Para as mães, especialmente as estreantes, viajar com o bebê pode ser algo assustador no primeiro momento. Sair da rotina, passar bastante tempo no carro, e aqueles perrengues que surgem quando a gente menos espera.

Nós sempre gostamos de pegar estrada, já desde antes de Otto nascer. Viajei bastante grávida e, como minha sogra mora em outra cidade, viajamos com certa frequência. A primeira vez com Otto, inclusive, foi pra lá.

Muitas mães se queixam que os filhos não gostam de ficar na cadeirinha do carro. Não sei se é uma questão de acostumar desde bem cedo, mas fato é que Otto nunca reclamou.

Nas primeiras vezes, ele ainda estava só mamando, então nossa tática era: sai de casa depois da mamada e faz uma parada na hora da próxima, aproveita para trocar a fralda, dá o tempinho de arrotar e segue viagem. Funcionava super.

Com o tempo, passei a dar a mamadeira no carro mesmo quando ele estava com muita fome e descia mesmo se fosse passar mais de duas horas e meia, três horas na estrada, para podermos nos esticar e tirar o bebê um pouco do carro. Ou em caso de troca de fralda urgente – leia-se aquele cocô não esperado rs.

Agora ele já almoça e janta, então, tento fazer as paradas o mais próximo possível do horário dele comer. Quando dá, ótimo, se não der, dou mamadeira e deixo o almoço ou janta para mais tarde. Foi o que aconteceu dessa última vez. Paramos às 11h30, que é o horário do almoço dele, mas ele não quis comer, então dei o almoço quando chegamos, um pouco mais tarde. Sem estresse.

De resto, oferecer bastante água e sempre tirar da cadeirinha para dar uma esticada a cada vez que parar o carro. E curtir muito a viagem e ser feliz!

Chegando em casa


Esse post foi escrito há exatamente um ano, no dia 02 de maio de 2018, uma semana após Otto receber alta do hospital. Quando chegamos em casa, tive a ideia de criar o blog, comecei a escrever, mas depois desisti. Agora decidi retomar esse projeto, e hoje, mexendo aqui no editor, encontrei nos rascunhos esse texto, com a mesma data, e interpretei como um sinal, então decidi postá-lo sem editar.

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Depois de 55 dias no hospital, você só pensa em ter alta logo para poder, finalmente, levar seu bebê pra casa, curtir seu cantinho, mostrar a casinha pra ele e poder aproveitar o quartinho que foi planejado com tanto amor pra chegada dele.

A ironia aqui é que quando tivemos uma previsão de alta para o Otto, parecia que não queríamos mais. Bateu um medo, uma insegurança. Vamos saber cuidar? E se ele passar mal, sentir algo diferente? Se a saturação cair? Aqueles medos que acho que toda mãe de UTI tem.

A parte boa é que esse medo durou pouco. Logo depois me bateu uma segurança e senti que estava preparada pra cuidar dele em casa. Poder pegar no colo quando quiser, trocar fraldas e amamentar. Enfim, dar amor.

Nossa chegada foi tranquila. Otto dormiu todo percurso no carro. Não estranhou o ambiente em casa e ficou super bonzinho. Hoje já faz uma semana que chegamos e só tenho a agradecer. Ele segue bem e super calminho. A primeira consulta com a pediatra foi ótima, ele está super bem. Agora é curtir nosso pacotinho no conforto do lar.