UTI Neo e equipe multidisciplinar: como funciona

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Esse post é para esclarecer como é o funcionamento de uma UTI Neonatal. Escrevo baseada na minha vivência enquanto Otto esteve internado e também em pesquisas que fiz para complementar as informações.

A UTI é composta basicamente por médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, além dos profissionais que realizam as coletas de exames (também médicos, enfermeiros e auxiliares).

Médicos

No hospital onde Otto nasceu a equipe de médicos pediatras ficava de plantão cuidando dos bebês e diariamente, às 11h, eles conversavam com os pais que estivessem na sala para atualizar sobre a evolução, ganho de peso, aumento do volume de mamadas, resultados de exames e próximos passos, entre outros assuntos.

Enfermeiras Neonatais

Elas coordenam todo o atendimento aos bebês, sua rotina na UTI junto às auxiliares, realizam aplicações de vacinas e medicamentos mais complexos, como inserção do pic (uma espécie de cateter para evitar de furar o bebê a todo momento). São o contato diário mais próximo dos pais quando o médico não está disponível.

Auxiliares de enfermagem

São elas que cuidam, de fato, dos bebês diariamente: trocam fralda, dão mamadeira quando a mãe não está presente, trocam curativos, enfim. São o colinho de aconchego quando a mãe não está. Seu papel é muito importante tanto para o bebê quanto para a mãe. Eram elas que me passavam as informações que eu queria saber sobre o Otto de quando eu não estava lá.

Fisioterapeutas

Os bebês prematuros em geral têm o pulmão um pouco mais frágil do que os bebês nascidos a termo, por isso, não são incomuns problemas respiratórios. O papel dos fisioterapeutas é prevenir ou tratar essas questões através de fisioterapia respiratória. São eles que controlam a ventilação mecânica, uso de Cpap, sonda de oxigênio etc.

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Rotina diária: trocas, mamadas e banho

Quando Otto nasceu, por conta da prematuridade extrema, ao chegar na UTI ele ficou em protocolo de manutenção mínima. Isso quer dizer que a equipe só podia fazer qualquer procedimento a cada seis horas. Passado esse período mais delicado, ele entrou na rotina de troca de fraldas e alimentação a cada três horas. No início ele recebia o leite via sonda, depois mamadeira e estímulo no peito (tem post detalhado aqui).

A higiene começou a ser feita apenas com algodão e água morna, devido ao tamanho e baixo peso. Quando ele atingiu 1.700Kg, começou a tomar banho na “saladeira”, uma bacia pequena que fica dentro da incubadora mesmo. Só com 2 kg ele pôde tomar banho na banheira convencional.

Essa foi a estrutura que observei enquanto Otto esteve na UTI Neo. Espero que ajude a tirar dúvidas das mães que estão passando por isso e não sabem muito bem o que esperar.

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#PraMãeQueNasceu | Mães de UTI

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Primeira vez que peguei o Otto, 13 dias após o nascimento

Só uma recém-mãe sabe o que é o nascimento. De uma mãe, de um pai, de uma nova família. Um momento maravilhoso e de muita alegria, mas, ao mesmo tempo, de dúvidas, descobertas, medos, cansaço físico e emocional.

Nessa hora, todos os olhos estão voltados para o bebê, mas a mãe também precisa de carinho e cuidados. Inspirada pelo movimento criado pela Fernanda Floret, do @vestidademae, onde ela nos incentiva a cuidar das puérperas, resolvi falar sobre esse assunto.

O puerpério é difícil para todas as mães. Mas vou falar especialmente sobre as “mães de UTI”. A mãe de UTI tem alta da maternidade sem o bebê. Depois, ela passa a ter uma rotina de hospital: chega pela manhã, faz a ordenha no banco de leite, entra na UTI para ficar com o bebê, espera para falar com o médico (que muitas vezes demora, causando mais ansiedade), volta para o banco de leite, vai ver o bebê novamente, muitas vezes sem poder pegá-lo no colo (no meu caso foram 13 dias), pausa para o almoço, depois recomeça tudo. A maior parte do tempo, ela faz todo esse processo sozinha. Nas ligações e mensagens de whatsapp, todos só querem saber e ver fotos do bebê, quase não perguntam da mãe, como ela está, se precisa de alguma coisa. Muitas vezes, um cafezinho rápido, um bate-papo por mensagem ou só um abraço já são suficientes.

Tudo isso sem falar na montanha-russa de emoções dentro da UTI: cai saturação, estabiliza, ganha peso, perde peso, transfusão sanguínea, a falta de previsão de alta do bebê, enfim… São inúmeros acontecimentos nesse período; às vezes, muitos deles no mesmo dia. E a mãe tem que lidar com toda essa carga emocional.

Quando tudo é ansiedade, insegurança e incerteza, é bom saber que tem pessoas cuidando de você. A tal da rede de apoio. Se você tem uma amiga recém-mãe, cuide dela, leve uma comidinha fresca, um docinho, ofereça um pouco do seu tempo para ficar com o bebê enquanto ela toma banho ou faz as unhas; se ela for mãe de UTI, vá ao hospital visitá-la, converse um pouco, leve-a para tomar café, ou só um ar. Às vezes, uns minutinhos de conversa e desabafo já bastam para ajudar muito.

No Instagram, o movimento criado pela Fernanda Floret está rolando com as hashtags #PraMaeQueNasceu #VestidadeAfeto #EuCuidodaMae. Poste sua foto cuidando de uma mãe no puerpério, vamos ter empatia pelas outras mães e fazer isso virar um costume entre nós!