Livro: Pais que evoluem

Educar não é instintivo. Educar de forma assertiva é ciência. Precisamos compreender como nossas palavras e atitudes como pais influenciarão a vida dos nossos filhos por muitos e muitos anos.

Li esse livro recentemente e foi muito especial. Não é mais um livro sobre como educar os filhos, sobre técnicas para acabar com as birras ou tantas fórmulas mágicas que vemos por aí quando o assunto é criação de filhos.

Ele fala, principalmente, sobre autoconhecimento. Para conhecer e criar bem nossos filhos, precisamos primeiro nos conhecer muito bem, entender nossos sentimentos e saber por que tomamos certas decisões.

A autora, educadora parental e especialista em inteligência emocional e perfil comportamental, começa falando sobre a nossa infância. A maneira como fomos criados, as crenças que adquirimos de nossos pais e cuidadores refletem diretamente na nossa maneira de ser mãe ou pai.

Ela conta que ficava perdida quando tinha dois filhos pequenos e não sabia como reagir às birras e outros comportamentos das crianças. O maternar não estava sendo leve e prazeroso, mas a estava esgotando emocionalmente. Só quando ela entendeu que precisava mudar o próprio mindset (maneira de pensar e agir), é que o comportamento de seus filhos iria mudar, as coisas tomaram outro rumo e ela deu uma guinada em sua jornada da maternidade.

Através do livro pude revisitar momentos da minha infância e criação de modo geral e também me aprofundar mais na jornada do autoconhecimento. Quando vivemos o momento presente e nos tornamos conscientes de nossas ações, tudo flui melhor, inclusive na maternidade/paternidade.

A autora nos convida a uma importante reflexão: educar não é instintivo e também não basta se autoconhecer para educar bem. Educar exige conhecimento. Não existe receita e ninguém nos ensina. Mas precisamos aprender como desenvolver essa importante missão.

A leitura é leve, de fácil compreensão e nos leva a importantes reflexões e a nos voltarmos para dentro de nós primeiro para então podermos nos doar e ajudarmos nossas crianças a se desenvolverem em seu potencial máximo.

Leitura bem válida para pais que buscam uma comunicação mais assertiva com os filhos e também para aqueles que estão buscando se conhecer melhor para assim poder exercer uma criação com apego e ajudar os filhos a se desenvolverem para se tornarem adultos confiantes e capazes.

Você escuta seu filho com atenção?

Puxando o gancho da coluna da @liderdesi.de dessa semana (se você ainda não, corre lá pra conferir; você pode ler aqui) e de algumas leituras que tenho feito, fiquei pensando nisso.

Quantas vezes estamos de corpo presente com nossos filhos, mas com a cabeça longe, olhando o celular, pensando no trabalho, nas tarefas de casa por fazer ou em qualquer outro assunto que não seja… os filhos.

Para manter a conexão com as crianças (já falei sobre isso aqui e aqui) e estar emocionalmente presente, é preciso estar ali de fato. Olhar nos olhos, prestar atenção, escutar atentamente. Esses pequenos momentos que podem parecer sem importância, fazem muita diferença na formação dos nossos filhos. E a lembrança de pais emocionalmente ausentes pode marcar de maneira irreparável a vida adulta.

As crianças, assim como os adultos, gostam de sentir ouvidas e amadas. Por isso, faço esse convite a você hoje: olhe nos olhos do seu filho e escute com atenção o que ele tem a dizer. Todos vão sair ganhando.

Vamos refletir juntos e trocar ideias. Deixe aqui seu comentário!

Entendendo as birras

birras

Há alguns dias fiz um post sobre como sobreviver às birras (se você não leu, pode ler clicando aqui). Hoje volto ao assunto porque sei que é algo comum e que acontece com frequência em todas as famílias. Mas hoje vim explicar um pouco melhor sobre o que são para entendermos e lidarmos melhor com essa questão.

Emoções são a energia que controla o cérebro humano, segundo pesquisadores. Também são emoções as informações que tendem a nos ajudar a tomar decisões sobre o que precisamos fazer para ficarmos seguros e saudáveis. As birras são essas emoções que as crianças não sabem controlar nem como expressar. Representam alguma necessidade não atendida. Compreender o porquê das birras – e como lidar – ajuda a manter a calma e a postura durante uma explosão emocional.

Crianças têm os mesmos sentimentos que os adultos, mas não têm palavras nem habilidade para lidar com eles ou controlar seus impulsos. Cabe a nós, como pais, entendermos o que levou à birra, quais sentimentos se acumularam. Quando entendermos isso, além de sabermos que não é algo pessoal, ajuda a não entrarmos no caos.

Ceder pode ser a solução?

Ceder talvez resolva o problema na hora, mas traz efeitos negativos em longo prazo.

Quando cedemos nossos filhos aprendem que devem fazer o que for necessário para conseguir o que querem. “Sei como fazer para me darem o que quero”. Eles repetem comportamentos que “funcionam”.

Não fale, apenas aja

Muitas vezes, uma atitude séria, firme e gentil vale muito mais do que palavras.

Seu filho está aos gritos no shopping porque você não comprou o brinquedo que ele queria. Você pode pegá-lo no colo, de maneira calma, gentil e firme, e, em silêncio, leva-lo para algum lugar mais tranquilo.

Nomeie os sentimentos dele (fiz um post no insta ontem mesmo sobre isso, leia aqui). “Você ficou triste porque não compramos o brinquedo”.

Dê um tempo para ele se acalmar e reativar seu cérebro. Valide os sentimentos dele. Repetindo ações como essas, com o tempo ele deve aprender a lidar com as próprias emoções (lembre-se que as crianças não aprendem vendo apenas uma vez, elas aprendem por repetição, é preciso paciência).

Respiração como aliada para acalmar (você e seu filho)

Para lidar com as birras, o importante antes de tudo é se acalmar (sei que na prática não é tão simples).

Pesquisadores explicam que respirações calmas e focadas ajudam o cérebro a se reconectar, então a habilidade de pensar claramente e procurar soluções é restaurada.

Portanto, respire fundo e conte até dez. Acalme-se. Depois de se acalmar, ajude seu filho a se tranquilizar também. É muito importante que você o ajude, pois regulação emocional é uma habilidade que leva alguns anos para ser dominada.

Sei que na prática não é tão fácil. Mas quando saímos do piloto-automático e passamos a enxergar a situação por outro ângulo, tudo começa a fazer sentido e começa a mudar. Quando você muda sua atitude, seu filho vai mudar a dele também, passando a se comportar de maneira diferente. A mudança deve partir de você para que ele aprenda. Lembra que as crianças aprendem pelo exemplo? Mas também vai ser preciso um pouquinho paciência, já que não vai ser logo na primeira vez que ele vai entender. Mas no fim vai dar certo e vocês terão uma relação muito melhor, com mais entrosamento e conexão.

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Como sobreviver às birras?

Sei que não existe fórmula mágica e também não se cria filhos com dicas. Mas as birras são parte do dia a dia com crianças e é um assunto que toca os pais. Então reuni aqui algumas informações que podem ajudar a lidar com a dita cuja quando acontecer. Porque vai acontecer. Cedo ou tarde, em casa ou na rua. Então vamos juntas passar por ela.

Acalme-se

Primeiro de tudo, lembre-se que as crianças aprendem observando. Dê o exemplo. Você agirá de maneira mais assertiva quando estiver calma. Para e respire profundamente para conseguir lidar melhor com a situação.

Dê segurança

Leve seu filho a um local seguro (onde ele não se machuque) ou mais reservado (se estiver em público). Afaste-o de objetos que podem ser atirados ou machucar a criança. Tente não gritar nem dar sermão (neste momento, só será mais fogo na fogueira).

Não ceda

Quando você dá à criança o objeto desejado – o motivo da birra – você ensina que esta é uma boa ferramenta para conseguir o que quer. Fique firme e seja gentil até que a explosão se acalme.

Não leve para o lado pessoal

Mesmo que a birra aparente ser. Seu filho só não tem habilidade de controlar as emoções nem de se expressar de maneira eficiente.

E então, o que achou do conteúdo? Como eu disse, não existe fórmula mágica, mas se pararmos, observarmos a situação sob outra perspectiva, conseguimos lidar melhor com ela. Esse texto é baseado nos conceitos da disciplina positiva, que ensina a agir com firmeza e gentileza, sempre. Acredito que quando vamos por esse caminho, dá certo e nossa relação com as crianças flui muito melhor.

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Dez formas de praticar a disciplina positiva

Já falei aqui que estou lendo o livro Disciplina Positiva para crianças de 0 a 3 anos e estou apaixonada. É um conceito muito respeitoso e amoroso para usar na criação dos filhos. Nos ensina muito sobre eles, mas, principalmente, sobre nós mesmos. Cada vez mais tenho certeza de que criar filhos e autoconhecimento andam de mãos dadas. No livro as autoras apresentam dez ideias para que possamos colocar a disciplina positiva em prática e vou falar sobre elas aqui.

1 – Antes de corrigir, se conecte com seu filho

Já falamos aqui no blog sobre conexão com filhos. Você pode ler sobre o tema aqui e aqui. Antes de chamar atenção do seu filho, você pode criar conexão dizendo: “Eu te amo e a resposta é não” ou através da validação dos sentimentos dele: “Eu sei que você não quer parar de brincar, mas agora é hora de ir dormir”. A autoconsciência é muito importante para que se possa perceber quando está em uma luta de poder com as crianças. Ao se dar conta disso, recue e mude de atitude, isso fará com que seu filho mude a dele também.

2 – Envolva as crianças nas atividades cotidianas

Em vez de apenas dizer (ou mandar) ao seu filho o que fazer, envolva-o nas decisões e atividades. Pergunte: “Onde colocamos sua fralda?” ou “Qual livro você quer ler?”. Quando a criança ainda não fala, diga a ela: “Agora nós vamos guardar os brinquedos”, mostrando a ela o que fazer.

3 – Tenha rotinas

Sempre acreditei na importância da rotina para os pequenos (e para os adultos também!) e desde que Otto nasceu, confirmei essa necessidade. Crianças pequenas aprendem com repetição e consistência. Se você tiver rotinas para atividades diárias como dormir, jantar, banho etc, vai ser muito mais tranquilo.

4 – Seja respeitoso para ensinar seu filho a respeitar

Crianças aprendem respeito ao ver como isso acontece na prática. Faça pedidos com respeito. “Precisamos ir embora do parquinho em cinco minutos. Quer ir ao balanço mais uma vez?”

5 – Tenha senso de humor

Uma criança que rejeita uma ordem pode responder com animação a um convite divertido para jogar. “Será que você pode escovar os dentes e colocar o pijama antes do papai?”

6 – Seja empático

Tenha empatia pelo seu filho quando ele chora (ou faz uma birra). Talvez ele esteja frustrado com a própria falta de habilidade em expressar o que ele deseja. Empatia envolve compreensão e conexão. Se quiser sair do parque e seu filho não, dê um abraço e valide seus sentimentos. “Você está chateado porque quer ficar no parque, mas agora é hora de ir embora.” Se você mimar seu filho deixando que fique no parque mais tempo, ele não terá oportunidade de aprender com a experiência de que pode sobreviver a essa frustração – e ele pode aprender que você pode ser manipulado.

7 – Acompanhe seu filho com ação gentil e firme

Às vezes, quanto menos se fala, melhor. Isso pode significar redirecionar o comportamento do seu filho ou mostrar o que ele pode fazer em vez de punir pelo que ele não pode fazer. Pode ser tirar a criança do escorregador, sem dizer nada, quando ela se recusa a sair, em vez de entrar em discussão ou batalha de vontades.

8 – Tenha paciência (mesmo)

Você pode precisar ensinar coisas ao seu filho muitas e muitas vezes até que ele entenda. Exemplo: você pode ensinar uma criança pequena a compartilhar, mas ela não entende o conceito para fazer isso sozinha. Compartilhar requer tempo, prática e controle de impulso mais desenvolvido. Não leve o comportamento do seu filho para o lado pessoal.

9 – Supervisione, distraia e redirecione

Fale menos e aja mais. Crianças pequenas precisam de supervisão. Se a criança se dirige a uma porta aberta, pegue-a silenciosamente pela mão e leve-a onde deve ir. Mostre a ela o que ela pode fazer em vez do que ela não pode. Quando você entender que as crianças realmente não entendem o NÃO da maneira que você acha que elas deveriam, faz mais sentido usar distração ou redirecionamento (tem post sobre isso no insta, clique aqui).

10 – Seu filho é único!

As crianças se desenvolvem de maneira diferente e têm diferentes pontos fortes. Quando você espera de uma criança algo que ela não pode dar só trará frustração. Portanto, ajuste sua expectativa. Seus sobrinhos podem se sentar silenciosamente em um restaurante por horas, já seus filhos ficam nervosos depois de 10 minutos, não importa o quanto você os prepare. Ajuste sua expectativa!

Observe seu filho e aprenda como ele é único. Apresente novas oportunidades e atividades; descubra seus interesses, o que ele pode fazer sozinho e o que precisa de ajuda.

E então, gostou das dicas? São preciosas e para usar na vida! Deixe seus comentários e compartilhe com quem puder se interessar.