Gestantes em tempos de Covid-19

 

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Gerar um filho é um dos momentos mais especiais na vida da mãe. Envolve sonhos, emoções e muita expectativa. Receber o filho rodeada pela família, ser acolhida com muito amor e calor humano. Tudo isso faz parte da nossa cultura, mas, atualmente, devido ao coronavírus, essa realidade mudou.

Muitas grávidas tiveram que cancelar chá revelação, chá de bebê e as visitas na maternidade já não são mais permitidas. Fala-se até de não permitir que o pai acompanhe a gestante na sala de parto.

As gestantes estão incluídas no grupo de risco, mas não porque elas podem ser mais propensas a contrair o vírus, e sim como uma medida que visa protegê-las, já que a imunidade das mulheres durante a gravidez e puerpério costuma ser mais baixa do que o normal, de acordo com o Dr. Antonio Julio Sales Barbosa, obstetra e fundador do Centro Paulista de Parto Normal.

Ainda não existe comprovação de que a mãe que tenha Covid-19 possa transmitir para o bebê durante a gestação ou durante a amamentação. Mas, nos casos de mães contaminadas, elas só têm acesso ao bebê quando os dois recebem alta, o que pode demorar pelo menos sete dias.

Fato é que muita coisa vem mudando com a pandemia, e temos que nos adaptar a essas mudanças. Quanto antes isso acontecer, menos doloroso. No caso das gestantes também. Essa é uma nova realidade e todas as medidas visam preservar vidas, inclusive do bebezinho que está a caminho.

Esse post é para me solidarizar com todas as mães que estão passando por isso agora. É difícil, mas nesse momento o mais importante é receber seu filho com saúde e segurança. Vocês terão uma vida para compartilhar momentos com a família e amigos no futuro. Se tem uma coisa que a maternidade ensina logo de cara é que nem tudo (aliás, quase nada) está sob nosso controle. Muitas coisas fogem de nossa vontade e só nos resta aceitar e agradecer.

Às futuras mamães, um abraço bem apertado e vibrações positivas de que tudo vai dar certo!

Imagem: Pinterest

A máscara é o nosso novo normal?

Já estamos há mais de dois meses em isolamento social por conta da pandemia de Covid- 19. Muita coisa mudou nesse pouco tempo, desde costumes em sociedade, como novos hábitos que foram inseridos em nossas vidas. Sem falar na montanha russa emocional que tudo isso tem causado em muita gente.

Primeiro, apenas os profissionais da saúde deviam usar a máscara – hábito em países asiáticos, mas visto com muito estranhamento pela nossa gente do lado de cá – depois, trabalhadores que tinham muito contato com público e pessoas doentes; hoje todos devemos usá-la, sem distinção.

Chegamos de viagem um dia após declarada a pandemia e ficamos em isolamento durante duas semanas (recomendação do governo para quem viesse do exterior). Nesses 15 dias não saí de casa para absolutamente nada, até que precisei sair. A porta do elevador abriu no térreo do prédio e havia duas mulheres e um homem de máscara esperando para entrar. Tomei aquele susto. Fui até a portaria e pude ver faixas de interdição no parquinho. Fiquei abalada e tive vontade de chorar.

Não porque eu fosse uma completa alienada que não sabia o que se passava no mundo lá fora. Mas uma coisa é você saber e acompanhar as notícias pela televisão e internet, outra é quando você vê pessoalmente e toma aquele choque de realidade. Foi triste.

Numa outra rara saída, precisei ir até a padaria. É uma padaria grande e badalada do bairro, sempre muito movimentada. O restaurante estava fechado e apagado, o balcão interditado e não são mais servidas refeições para comer lá, apenas para retirada. Funcionários de máscara e proteção de acrílico. Mais um baque.

Com o tempo a gente vai se acostumando, se adaptando, mas ainda assusta um pouco. Essa semana desci para buscar algo na portaria e encontrei no elevador uma vizinha que há muito não via. Ela – de máscara – perguntou como nós estávamos e disse que só estava saindo para levar a filha, uma bebê de 10 meses, ao pediatra. Conversamos rapidamente, mas deu para sentir o ar preocupado e um tanto chateado que ela transmitia por conta de toda essa situação (sinto que estamos todos um pouco assim). O elevador chegou e nos despedimos, ela deu tchau e nos desejou muita saúde. E é o que mais importa nesse momento.

No início do isolamento, vi uma conversa sobre o uso de máscara e a pergunta se as pessoas achavam que aquele seria um novo hábito que levaríamos dali pra frente, mesmo após a pandemia. Na ocasião respondi que não, mas hoje já estou convencida do contrário. Como tantas outras coisas que esse vírus veio nos mostrar, o uso de máscaras agora também vai ser essencial.

Assisti a uma live sobre mudança de hábitos durante a pandemia, e a antropóloga comentou que há muito tempo (se não me engano, era antes da gripe espanhola, mas agora não lembro o dado correto) era comum as pessoas tossirem por aí sem colocar a mão na boca, algo inimaginável hoje. Talvez usar máscara e álcool em gel daqui uns anos será como tossir com a mão na boca para nossa geração hoje. Veremos.

Tudo ainda está incerto. Não sabemos por quanto tempo ainda teremos que ficar isolados. Mas acredito que ainda que possamos voltar a sair com mais cautela e sem aglomerações, teremos que conviver com o fantasma da Covid-19 nos assombrando por um tempo enquanto não houver vacina ou tratamento que consiga conter o vírus. Enquanto nada disso acontece, ficamos quietinhos em casa, com nossa máscara no rosto e álcool em gel nas mãos.

Como o isolamento social impacta a aprendizagem das crianças e a rotina das famílias

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Com a chegada do isolamento social, vieram novos hábitos aos quais fomos nos adaptando aos poucos. Lidar com as crianças em casa, o serviço doméstico e o home office – tudo junto e ao mesmo tempo – tem sido desafiador para muitas famílias. Somado a isso, ainda vieram as aulas on-line, exigindo dos pais maior atenção para apoiar as crianças.

No caso do Otto nem posso dizer que é exatamente uma aula porque ele ainda não está na fase de alfabetização. Mas todos os dias temos uma pequena programação para fazer com as crianças.

O fato é que esse é um cenário completamente novo e desconhecido para todos, e não sabemos o jeito “certo” de fazer.

Na escola do Otto tem sido assim: diariamente a professora envia uma atividade como receitas, histórias, brincadeiras, dobraduras etc e sugere que os pais façam com as crianças e enviem fotos para que elas vejam o que os alunos têm feito. Às sextas, todos entram on-line no Google Meeting para um bate-papo rapidinho e as crianças terem contato com os coleguinhas e as professoras. As atividades são válidas para estimular a aprendizagem e serve também para momentos de conexão entre pais e filhos.

No caso de crianças que ainda não estão em fase de alfabetização será mesmo necessário? Além do pouco interesse da criança, gera uma ansiedade enorme nos pais (digo por mim) de precisar cumprir a tarefa, encaixá-la na lista de outras tantas de todo dia, enviar a foto para mostrar para a escola que o esforço da professora não foi em vão e não sou uma péssima mãe que não cumpriu a tarefa do dia. Também sinto pelos professores, sei do enorme esforço que tem sido feito num espaço curto de tempo sem as ferramentas necessárias para tentar tampar esse buraco.

Vejo aqui um cenário difícil para ambos os lados: professores tendo que criar conteúdos e tendo que desenvolver habilidades que não tinham ou não eram necessárias antes, como gravar e editar vídeos, utilizar ferramentas antes desconhecidas, criar conteúdo novo diariamente para nos enviar; do outro lado, pais vivendo a loucura que citei no início do texto e tendo que lidar com a ansiedade de dar conta de todas as atividades e não deixar nada por fazer.

Minha reflexão aqui é: por quanto tempo ainda vamos suportar esse cenário? Não sabemos até quando a pandemia e o isolamento social ainda vão continuar. Tenho acompanhado mães compartilhando suas dores nessa questão de homescholing e sempre sinto um peso, uma preocupação grande. E mais, no caso de crianças na fase do Otto, em que toda a aprendizagem é baseada na convivência, na inserção da criança no ambiente social com outras crianças (em como sentar com o coleguinha, não bater, não tomar o brinquedo do outro e etc) faz sentido continuarmos com essa programação?

Sei que tem o outro ponto de vista também. Alguns pais não sabem mais o que fazer com os filhos dentro de casa e essa é uma alternativa para burlar a falta de criatividade e opções de atividades. É preciso também manter as escolas, os salários dos professores e de tantos profissionais envolvidos para fazer essa engrenagem rodar. Mas é um assunto em que tenho pensado bastante ultimamente, e resolvi compartilhar aqui para gerar essa reflexão.

Como tem sido por aí? Compartilha aqui comigo sua experiência, deixe seu comentário!

Pensamentos durante a pandemia

No início da pandemia, li um texto comparando tudo que estávamos passando durante o isolamento a um período de luto. Ele tinha estágios pelos quais pessoas de luto passam.

Negação, aceitação e negociação estavam entre esses estágios. Hoje, mais de um mês em distanciamento social, acho que já consigo enxergar a situação em perspectiva e as ideias (um pouco) mais organizadas.

Passei por esses três estágios que citei acima. Primeiro quando me neguei a enxergar que algo muito sério estava por vir. Mas quando percebi, não tive dificuldade em aceitar. Aliás, acho que essa é a principal característica para evitar maior sofrimento. A Negociação acho que vivo até agora, tentando entender quanto tempo isso ainda vai durar. Mas nunca lutando contra esse momento que estamos vivendo, nem tentando apertar o botão de avançar do controle remoto para pular essa parte. Acredito que tudo tem um porquê e acontece para nos trazer ensinamentos e nada melhor do que viver um dia de cada vez. Ao contrário, tenho tentado viver de maneira mais desperta, aprendendo com tanta coisa que vem acontecendo, tantos novos hábitos que certamente vieram para ficar, e o melhor: vivendo intensamente cada momentinho ao lado do meu filho e meu marido.

Isso quer dizer que tem sido fácil e todos os dias são bons e alegres? Claro que não! Por aqui também tem tristeza, desânimo, vontade de fazer nada, largar tudo e sair correndo. De chorar. De entender os porquês. Mas não temos todas as respostas. E nada dura para sempre, nem os dias ruins. Então me permito viver um dia triste, aceito e acolho esse sentimento, mas no dia seguinte, acordo bem, me arrumo e mudo o astral. É um novo dia e uma nova oportunidade.

Que esse período nos faça enxergar também as coisas boas, as oportunidades que podem surgir de períodos de crise. Que aceitemos o quanto antes a nova era que vem chegando. E que sempre haja um novo dia feliz para que possamos despertar e sair do estado de luto em que nos colocamos.