Banco de leite e sua importância para mães e bebês

banco de leite

Para encerrar a série sobre prematuridade, achei interessante falar sobre o banco de leite. Está aí um trabalho lindo e muito importante para a UTI Neonatal, mães e bebês recém-nascidos.

Como o leite materno é de extrema importância para os recém-nascidos, especialmente os prematuros, o banco de leite humano do Hospital São Luiz oferece às mães que estão com seus filhos na UTI apoio para tirar leite, consultoria com enfermeira especializada em amamentação, para as mães que têm dificuldade ou em casos de mastite (uma inflamação nas glândulas mamárias).

Após o nascimento do Otto, fui orientada a ir ao banco de leite no dia seguinte para começar a ordenha. No primeiro dia não saiu nada, no segundo começou a sair um pouquinho e foi aumentando progressivamente. São agendados horários com intervalos de três horas entre uma ordenha e outra. As bombas de tirar leite ajudam muito a mãe que está na rotina de hospital, quando tem que se revezar entre banco de leite e UTI.

Funcionava da seguinte forma: o leite que eu tirava no dia ia para as mamadas do Otto naquele dia até 12 horas depois, que é o prazo de validade do leite cru na geladeira. O restante era congelado e então pasteurizado, passando a ter uma validade de seis meses. Eu também tirava leite em casa e congelava, depois levava para o hospital para ser pasteurizado.

O processo de pasteurização consiste em ferver o leite a uma temperatura específica e depois colocá-lo em água gelada, causando um choque térmico. Esse processo elimina os micro-organismos patogênicos.

Como no comecinho ele mamava muito pouquinho, fui acumulando bastante leite. Quando ele teve alta, trouxe alguns vidros de leite pasteurizado e doei outros. O Hospital São Luiz possui uma parceria com hospitais públicos e todo leite que tem autorização das mães para doação vai para esses hospitais ajudar outras crianças.

Gostaram de saber um pouco mais sobre esse universo? Com esse post eu encerro a série sobre prematuridade. Esses posts vão estar aqui no blog e, sempre que quiser consultar, basta procurar por “prematuridade” na barra de pesquisa.

Deixe seu comentário e compartilhe esse conteúdo com alguém que possa se beneficiar. Vamos ajudar outras mães!

Amamentação do bebê prematuro – como foi com Otto

Estamos na Semana Mundial do Aleitamento Materno, que acontece entre os dias 1 e 7 de agosto, por isso, decidi falar um pouco sobre como foi a amamentação do Otto ainda prematurinho.

Quando o bebê nasce prematuro, na maternidade onde Otto nasceu funciona assim: no dia seguinte ao nascimento, a mãe vai ao banco de leite onde recebe orientações e faz a primeira ordenha. Geralmente não sai nada, mas faz parte do processo. No segundo dia, são feitas duas ordenhas, no meu caso começaram umas gotinhas, mas pode não sair nada também. No terceiro dia é que o leite realmente desce, e foi assim comigo.

Depois, comecei uma rotina diária no banco de leite, onde fazia a ordenha a cada três horas e depois que chegava em casa ainda tirava leite mais duas vezes e levava congelado para o hospital.

Otto recebeu meu leite desde o início via sonda, já que nos primeiros dias ele ficou em protocolo de manipulação mínima e eu não podia pegá-lo no colo. Quando completou 34 semanas de idade corrigida (já falamos sobre isso aqui), começou o estímulo no peito. Mas não pegou logo de cara não. Foram dias tentando enquanto ele ainda usava sonda, por onde de fato ele recebia o leite. Depois, saiu a sonda e entrou a mamadeira, para que ele aprendesse direitinho todo o processo: sugar, engolir, respirar. Começamos com quantidades bem pequenas elevadas aos poucos. Paralelo a isso, o esforço para que ele pegasse o peito continuava.

Quando viemos para casa, ele ainda não mamava muito no peito; eu segui com a ordenha e dava meu leite na mamadeira. Até que me sugeriram usar aqueles bicos de silicone para usar no peito. Foi aí que ele começou a pegar bem. Fiquei um bom tempo usando o bico até que deixei de usar e ele mamava direto no peito. Fomos assim até os 9 meses, quando ele se desinteressou e desmamou.

Por que estou contando tudo isso? Para falar que a amamentação de maneira geral não é fácil, e no caso de um bebê prematuro pode ser pior. Mas não é impossível. Foram dias de dedicação e muita paciência. Por isso não desista!

O susto de um parto prematuro pode alterar a produção de leite, por isso, enquanto o bebê estiver internado, a ordenha é fundamental. A condição física e psicológica da mãe também pode influenciar na produção, então, ela deve se manter descansada, tranquila (dentro do possível), bem alimentada e hidratada.

Todos sabemos da importância do leite materno para os bebês. A natureza é tão sábia que o leite das mães de prematuros é diferente do leite das mães de bebês nascidos a termo com relação à quantidade de proteínas e calorias, que são maiores, para suprir as necessidades do bebê.

Por isso, mesmo que uma mãe tenha pouco leite, é importantíssimo que o prematuro receba esse leite, que fará muito bem para seu desenvolvimento e imunidade.

O recado que quero deixar aqui é para as mães terem paciência, pois no começo é muito difícil e dolorido. O pai e a rede de apoio também podem e devem ajudar nesse período. Amamentar um bebê prematuro é possível. Com paciência e persistência, certamente dará certo.

Mães (de prematuros e não prematuros), contem aqui como foi a experiência de vocês.