Incentivando a autonomia nas crianças

Sempre busco encorajar Otto a ter autonomia e ser independente porque acredito que dessa forma ele vai crescer e se tornar um adulto mais forte e capaz. Mas já me peguei, nesse caminho, preocupada com a opinião alheia, o famoso julgamento: o que vão pensar? Que não sou uma boa mãe, não ajudo e deixo que ele “se vire sozinho”.

Eis que durante meus estudos aprendi que quando fazemos coisas pelas crianças, diminuímos a capacidade de aprendizagem delas.

Sim, porque é fazendo que se aprende a fazer. O simples ato de tomar água em um copo de vidro, por exemplo. Elas não vão saber logo de cara, vão derrubar água algumas vezes até entender como se faz.

Veja bem, não estamos o tempo todo com elas e em algum momento vamos falhar. Por isso, é importante que elas saibam agir de forma autônoma.

Claro que ser permissivo demais também não é legal. Mas encontrar um caminho entre o meio termo vai ser de grande valia para que as crianças não percam a vontade de aprender. Quando elas percebem que são capazes de fazer algo sozinhas, se sentem felizes, fazendo parte do meio em que vivem e encorajadas a aprender mais.

Sobre disciplina positiva e punição

Estou lendo o livro Disciplina positiva e ainda é cedo para falar sobre o geral do livro, mas peguei alguns pontos que quero comentar.

Disciplina positiva nada mais é do que ensinar de maneira gentil. Aprendemos com nossos pais e avós que disciplina é punição, fazer sofrer. Sem orientação, vamos repetindo esses padrões que são tomados como certos. Felizmente, hoje há estudos que mostram que no longo prazo isso cria revolta, resistência e crianças que não acreditam no seu próprio valor e capacidade. Punição gera ressentimento, rebeldia, retaliação e recuo (que se divide em dissimulação e redução da autoestima).

Disciplinar o filho está mais relacionado com o que você fizer do que com o que você espera que seu filho faça. Afinal, crianças pequenas aprendem observando e imitando os outros ao redor.

As autoras explicam que é mais fácil resolver problemas quando há orientação gentil e firme até que as crianças tenham idade suficiente para entender o processo de criar limites e focar em soluções. Até lá, é possível resolver tranquilamente desviando o foco. Por exemplo: às vezes, Otto cisma de mexer em algo que não pode ou fazer alguma coisa “proibida”. Se eu simplesmente falar não e pedir para que ele saia dali, ele vai falar que não, vai chorar, se jogar no chão, aquele cenário que nós pais bem conhecemos. Em vez disso, desvio a atenção dele para outra coisa. Falo: “filho, vamos andar de motoca?” Ou: “acho que o papai está chamando, vamos ver o que é?” Pronto. Nesse momento ele já esqueceu o que queria fazer e perdeu o foco sem que haja estresse entre nós.

Outro dia contei no Instagram @amaeprematura (se ainda não viu, segue lá!) sobre o dia em que ele estava andando de bicicleta e chamei para almoçar. Óbvio que ele de imediato respondeu que não. Eu parei perto dele, abaixei e falei: filho, agora é hora de almoçar, estaciona sua bicicleta e depois de comer você volta para brincar. E assim foi. Sem brigas e choros.

Elas ainda falam sobre a importância de usar palavras respeitosas ao fazer pedidos para as crianças, como citei acima nesse dia da bicicleta. Procuro fazer isso com Otto e acho que faz muita diferença, mesmo ele sendo ainda tão pequeno.

O importante (e também talvez mais desafiador) é manter o equilíbrio entre falar com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo. Ser gentil, ter paciência, mostrar interesse e conexão com a criança, respeitá-la e mostrar empatia são características da disciplina positiva.

Pode parecer papo de Buda, mas faz diferença. Sempre que eu faço diferente, observo os resultados positivos. E não estou aqui para fazer a mãe perfeita que segue à risca ensinamentos de livros. Sou humana, perco a paciência, grito. Porque isso faz parte do meu piloto automático, repetição de padrões que falei no início do texto. Mas me observo de maneira atenta diariamente para tentar fazer melhor. Mudar é difícil e requer esforço, mas os resultados são valiosos. Vale a pena tentar.

Me conta aqui nos comentários se você conhece a disciplina positiva e o que acha da punição!

Isolamento social e ensino on-line

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Tenho acompanhado muitas mães aflitas com a nova rotina de ensino em casa. Um cenário que pegou tanto escolas quanto famílias e alunos de surpresa tem sido desafiador e de muito aprendizado para todas as partes envolvidas.

Baseada no artigo de Janaína Spolidorio, especialista em educação, em que ela dá dicas para que as famílias se adaptem melhor a essa situação, trouxe aqui essas formas para tornar o ensino à distância mais leve e proveitoso para todos. São dicas para quem já tem crianças em fase de alfabetização.

Tenha uma rotina

Acredito que rotina é importante em todas as fases da infância e até para nós adultos. Otto tem rotina desde sempre. Encaixe um tempo para os estudos na rotina diária, para que a criança crie o hábito de fazer as atividades naquele horário. Vai ser bom para a criança se acostumar e você também se organiza melhor.

Reúna todo material necessário

Um dia antes, verifique tudo que será necessário usar. Imprima apostilas, folhas, confira se o computador a ser utilizado está em condições, com internet e tudo mais.

Evite distrações

Selecione um ambiente tranquilo da casa e deixe todo o material necessário lá para evitar que a criança pare para procurar algum objeto que esteja faltando. Evite barulhos próximo ao local e evite que a criança se distraia.

Faça pausas

Estabeleça intervalos de 5 a 10 minutos para a retomada da capacidade de atenção e de concentração. Eles são importantes para que a criança recarregue as energias e não fique tão cansativo.

Paciência

Lembre-se que nem as famílias e tampouco as escolas estavam preparadas para o ensino dessa forma e, principalmente, se estendendo por tanto tempo. Tenha paciência e transmita calma para a criança. Pense que é um momento de aprendizado também para você e uma oportunidade de trabalhar um lado mãe educadora, criando mais momentos de conexão com seu filho.

Espero que ajude!

Me conte aqui nos comentários como tem sido essa rotina por aí!

Como o isolamento social impacta a aprendizagem das crianças e a rotina das famílias

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Com a chegada do isolamento social, vieram novos hábitos aos quais fomos nos adaptando aos poucos. Lidar com as crianças em casa, o serviço doméstico e o home office – tudo junto e ao mesmo tempo – tem sido desafiador para muitas famílias. Somado a isso, ainda vieram as aulas on-line, exigindo dos pais maior atenção para apoiar as crianças.

No caso do Otto nem posso dizer que é exatamente uma aula porque ele ainda não está na fase de alfabetização. Mas todos os dias temos uma pequena programação para fazer com as crianças.

O fato é que esse é um cenário completamente novo e desconhecido para todos, e não sabemos o jeito “certo” de fazer.

Na escola do Otto tem sido assim: diariamente a professora envia uma atividade como receitas, histórias, brincadeiras, dobraduras etc e sugere que os pais façam com as crianças e enviem fotos para que elas vejam o que os alunos têm feito. Às sextas, todos entram on-line no Google Meeting para um bate-papo rapidinho e as crianças terem contato com os coleguinhas e as professoras. As atividades são válidas para estimular a aprendizagem e serve também para momentos de conexão entre pais e filhos.

No caso de crianças que ainda não estão em fase de alfabetização será mesmo necessário? Além do pouco interesse da criança, gera uma ansiedade enorme nos pais (digo por mim) de precisar cumprir a tarefa, encaixá-la na lista de outras tantas de todo dia, enviar a foto para mostrar para a escola que o esforço da professora não foi em vão e não sou uma péssima mãe que não cumpriu a tarefa do dia. Também sinto pelos professores, sei do enorme esforço que tem sido feito num espaço curto de tempo sem as ferramentas necessárias para tentar tampar esse buraco.

Vejo aqui um cenário difícil para ambos os lados: professores tendo que criar conteúdos e tendo que desenvolver habilidades que não tinham ou não eram necessárias antes, como gravar e editar vídeos, utilizar ferramentas antes desconhecidas, criar conteúdo novo diariamente para nos enviar; do outro lado, pais vivendo a loucura que citei no início do texto e tendo que lidar com a ansiedade de dar conta de todas as atividades e não deixar nada por fazer.

Minha reflexão aqui é: por quanto tempo ainda vamos suportar esse cenário? Não sabemos até quando a pandemia e o isolamento social ainda vão continuar. Tenho acompanhado mães compartilhando suas dores nessa questão de homescholing e sempre sinto um peso, uma preocupação grande. E mais, no caso de crianças na fase do Otto, em que toda a aprendizagem é baseada na convivência, na inserção da criança no ambiente social com outras crianças (em como sentar com o coleguinha, não bater, não tomar o brinquedo do outro e etc) faz sentido continuarmos com essa programação?

Sei que tem o outro ponto de vista também. Alguns pais não sabem mais o que fazer com os filhos dentro de casa e essa é uma alternativa para burlar a falta de criatividade e opções de atividades. É preciso também manter as escolas, os salários dos professores e de tantos profissionais envolvidos para fazer essa engrenagem rodar. Mas é um assunto em que tenho pensado bastante ultimamente, e resolvi compartilhar aqui para gerar essa reflexão.

Como tem sido por aí? Compartilha aqui comigo sua experiência, deixe seu comentário!

Reconheça as emoções nas crianças

Cabe aos pais e cuidadores, além de todos os outros encargos, a responsabilidade de educar emocionalmente suas crianças. Dentre todas as responsabilidades inerentes aos pais e cuidadores, acredito que esta seja uma das mais importantes e desafiadora.

Estamos numa nova era e a geração das nossas crianças já vivem essa necessidade do afeto e do resgate da essência humana. Mas como lidar com as nossas questões emocionais e mais as das crianças?

A Comunicação Não-Violenta nos ensina a observar o outro numa situação de diálogo ou explosão emocional para entender quais as necessidades não atendidas estão sendo comunicadas. As crianças costumam expressar as necessidades através da birra, grito e choro.

Torne-se uma exploradora de sentimentos e necessidades das crianças, observe o contexto e, caso seja uma criança já na idade da fala, questione sobre os sentimentos e necessidades na situação. Estimule a criança a entender o que sente e falar sobre a sua vulnerabilidade.

Esse hábito de acolhimento é um dos fatores essenciais para alguém que deseja ter autocontrole emocional. Se você ainda não o tem, aconselho que desenvolva em si mesma e então estimule suas crianças a fazer o mesmo.

É importante lembrar da prática da empatia em relação as dores das crianças, claro que serão pequenas se comparadas aos problemas enfrentados por nós, mas para eles é realmente uma das maiores dores que tenham sentido, como por exemplo, precisar parar uma brincadeira tão legal para comer.

Reconheça os sentimentos, ensine de maneira leve e criativa a criança a entende-lo e comunica-lo. Uma maneira legal de gerar essa conexão é combinar um código para cada sentimento e quando estiver com dificuldade de entender o que está acontecendo internamente com a criança, pedir que ela faça o código e te mostre como ajudá-la.

Acolha todo e qualquer sentimento expressados por eles, tanto os que trazem uma necessidade, como os positivos, esse estímulo emocional é essencial.

Estamos na posição de co-criadores de uma nova sociedade quando educamos e orientamos nossas crianças, que possamos executar essa tarefa de maneira consciente e amorosa.

Luz e Sucesso!!


Esse texto foi escrito por Flávia Gimenes, empreendedora, terapeuta, leader coach e advogada fundadora da Líder de Si Desenvolvimento e Evolução. Sigam no Instagram @liderdesi.de para acompanhar conteúdos enriquecedores sobre autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e liderança humanizada.