Bebês prematuros: idade cronológica x idade corrigida

Quando soubemos que o Otto iria nascer no dia seguinte, surgiu uma ligeira dúvida sobre se a data considerada seria aquela ou o dia em que estava previsto o nascimento.

Pura ignorância nossa. Algo totalmente novo pra gente. Data de nascimento é uma só e pronto. O dia em que nasceu (dãr).

Mas para os prematuros é considerada mais uma data para algumas questões, a data em que o bebê teria nascido a termo.

Por exemplo: Otto nasceu pouco mais de 2 meses antes do previsto. Quando ele saiu da UTI e foi para casa, já com quase 2 meses, era como se fosse recém-nascido.

Começamos a introdução alimentar com 8 meses, pois era equivalente a 6 meses de idade corrigida (idade em que normalmente os bebês começam a IA).

Na parte de desenvolvimento motor também é considerada a idade corrigida, pois pode haver algum “atraso” nas habilidades. Quando fizemos fisioterapia, a médica sempre observava tanto a idade corrigida, quanto a cronológica. Por vezes ele estava dentro da idade corrigida, mas ainda não tinha atingido o esperado para a idade cronológica. Normal e super dentro do esperado. Outras vezes, além de realizar atividades próprias da idade corrigida, também já tinha chegado à idade cronológica.

Para a vacinação, considera-se a idade cronológica, ou seja, as vacinas de 2 meses foram tomadas aos 2 meses de idade e assim por diante.

Pode parecer meio confuso no começo, mas logo a gente aprende e acostuma.

Decoração do batizado do Otto

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Decidimos batizar o Otto quando ele tinha 8 meses. A cerimônia foi durante a missa das 11h de domingo, então optei por oferecer um almoço depois para a família e alguns amigos mais próximos. Minha ideia era que a decoração fosse algo bem clássico com predominância do branco.

Toda a decoração foi executada pela minha cunhada, que tem o Ateliê La Ru (ela também fez o aniversário do Otto). Escolhemos essa mesa mais rústica para contrastar com os elementos brancos. Ela era em formato de charrete, muito linda. De fundo, o painel de folhas verdes ajuda a trazer o ar clássico para o ambiente.

Um detalhe engraçado de bastidor: queria dois arranjos grandes, um em cada ponta da mesa, para dar um destaque. Pois bem, contatei a floricultura, enviei as medidas dos vasos e mandei uma referência do tipo de flores/arranjo que eu queria. Tudo por telefone e whatsapp. No dia do batizado, chegaram os arranjos. ENORMES. Segundo minha cunhada, pareciam os arranjos da igreja rs. Fiquei em pânico. Minha cunhada achou que era exagero meu, mas na hora que ela viu, concordou comigo. Eles eram tão grandes que não dava para deixar os dois juntos na mesa porque tombava kkk. O jeito foi deixar só um no cantinho. O outro ficou no chão, ao lado da mesa, compondo a decoração rs.

Abaixo, estão as fotos com os detalhes da decoração.

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O detalhe das rodas da mesa (não tem nenhuma foto que mostre por inteiro), o segundo vaso aparecendo parcialmente lá no fundo, e o Otto, que nessa época ainda não sentava sozinho, mas a fotógrafa deu um jeitinho e conseguiu fotos lindas!

Espero que tenham gostado e que possa servir de inspiração!


Decoração: @atelielaru
Bolo e doces: @laluna_bolosedoces
Cupcakes: @cupcakesfactoryy
Fotos: @keniaoliveirafotografia

Dicas para levar o bebê à praia

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Levei o Otto pela primeira vez à praia com 6 meses (inclusive tem post sobre essa viagem aqui) e recebi muitas orientações da pediatra para que tudo corresse bem e sem sustos. Decidi compartilhar essas dicas para ajudar as mães de primeira viagem que podem ter dúvidas sobre esse assunto. Com as férias de julho chegando, quem tiver de viagem marcada já pode curtir essas dicas!

Protetor solar

Proteção solar é indispensável para todos, inclusive adultos, não só na praia, mas todos os dias. Imagine para a pele super delicada do bebê. A pediatra pediu para usar protetor solar FPS 70 ou 80 infantil. Sugeriu as marcas Nívea, Neutrogena ou Mustela.

Deve ser passado na pele exposta ao sol, 30 minutos antes da exposição, inclusive rosto, orelhas e pescoço. Ainda assim, a exposição direta é super limitada: somente bem cedinho ou no finalzinho da tarde. Importante sempre cobrir a cabeça com chapéu ou boné para dobrar a proteção.

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Repelente

Os insetos são uma coisa chatinha na praia, principalmente para os bebês, que acabam sendo mais sensíveis, então é super importante o uso do repelente. Mas quando eles são pequenos, o ideal é espirrar apenas na roupinha antes de vestir, sempre que colocar uma nova roupa, ao longo do dia. Importante que os pais também usem para redobrar o cuidado, e sempre lavar as mãos depois da aplicação. As marcas indicadas pela minha pediatra: Exposis, Off e SBP, todos na versão infantil.

Outra dica muito importante é usar a rede de proteção para colocar no carrinho e no berço. Elas são super fáceis de achar em lojas de artigos para bebê e são baratinhas também. A combinação de repelente + rede é muito eficaz.

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Remédios

A gente nunca sabe quando nossos bebês vão ter uma dorzinha ou febre, então é importante levar medicamentos mais básicos, como analgésicos e antitérmicos para o caso de uma emergência. Soro fisiológico em spray também é bom ter à mão para lavar o nariz. E um termômetro. Isso vale para qualquer viagem. Deixo sempre uma necessaire pronta para viagens.

Gostaram das dicas? Espero que ajude! Se tiver alguma dúvida, pode deixar aqui embaixo, na caixa de comentários!

#PraMãeQueNasceu | Mães de UTI

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Primeira vez que peguei o Otto, 13 dias após o nascimento

Só uma recém-mãe sabe o que é o nascimento. De uma mãe, de um pai, de uma nova família. Um momento maravilhoso e de muita alegria, mas, ao mesmo tempo, de dúvidas, descobertas, medos, cansaço físico e emocional.

Nessa hora, todos os olhos estão voltados para o bebê, mas a mãe também precisa de carinho e cuidados. Inspirada pelo movimento criado pela Fernanda Floret, do @vestidademae, onde ela nos incentiva a cuidar das puérperas, resolvi falar sobre esse assunto.

O puerpério é difícil para todas as mães. Mas vou falar especialmente sobre as “mães de UTI”. A mãe de UTI tem alta da maternidade sem o bebê. Depois, ela passa a ter uma rotina de hospital: chega pela manhã, faz a ordenha no banco de leite, entra na UTI para ficar com o bebê, espera para falar com o médico (que muitas vezes demora, causando mais ansiedade), volta para o banco de leite, vai ver o bebê novamente, muitas vezes sem poder pegá-lo no colo (no meu caso foram 13 dias), pausa para o almoço, depois recomeça tudo. A maior parte do tempo, ela faz todo esse processo sozinha. Nas ligações e mensagens de whatsapp, todos só querem saber e ver fotos do bebê, quase não perguntam da mãe, como ela está, se precisa de alguma coisa. Muitas vezes, um cafezinho rápido, um bate-papo por mensagem ou só um abraço já são suficientes.

Tudo isso sem falar na montanha-russa de emoções dentro da UTI: cai saturação, estabiliza, ganha peso, perde peso, transfusão sanguínea, a falta de previsão de alta do bebê, enfim… São inúmeros acontecimentos nesse período; às vezes, muitos deles no mesmo dia. E a mãe tem que lidar com toda essa carga emocional.

Quando tudo é ansiedade, insegurança e incerteza, é bom saber que tem pessoas cuidando de você. A tal da rede de apoio. Se você tem uma amiga recém-mãe, cuide dela, leve uma comidinha fresca, um docinho, ofereça um pouco do seu tempo para ficar com o bebê enquanto ela toma banho ou faz as unhas; se ela for mãe de UTI, vá ao hospital visitá-la, converse um pouco, leve-a para tomar café, ou só um ar. Às vezes, uns minutinhos de conversa e desabafo já bastam para ajudar muito.

No Instagram, o movimento criado pela Fernanda Floret está rolando com as hashtags #PraMaeQueNasceu #VestidadeAfeto #EuCuidodaMae. Poste sua foto cuidando de uma mãe no puerpério, vamos ter empatia pelas outras mães e fazer isso virar um costume entre nós!

Pré-eclâmpsia e gravidez de risco

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Com 26 semanas, pouco antes de aparecerem os sintomas

Para quem não acompanhou nossa história desde o comecinho, resolvi vir contar um pouco sobre o que eu tive na gravidez que resultou no nascimento prematuro do Otto. A pré-eclâmpsia, que é a elevação da pressão arterial durante a gravidez, é mais comum do que imaginamos e também perigosa, muitas vezes colocando mãe e bebê em risco.

O que é?

Quando a grávida apresenta o seguinte quadro: pressão arterial elevada acima de 140/90 após a vigésima semana de gravidez, além de excesso de proteína na urina e edema (inchaço) causado pela retenção de líquido. A elevação da pressão pode continuar por até 12 semanas após o parto.

A pré-eclâmpsia não tratada corretamente pode acarretar sérias complicações para mãe e bebê. A hipertensão é responsável por 13,8% das mortes maternas no Brasil e é a principal causa de morte durante a gravidez no país, de acordo com o Ministério da Saúde.

Sintomas
  • Dor de cabeça, especialmente na nuca
  • Inchaço da face e/ou extremidades, como mãos e pés
  • Rápido ganho de peso, de 2 a 5 quilos em uma semana
  • Alterações da visão (visão turva, visão dupla, ver pontos de luz)
  • Urinar com menos frequência
  • Dor abdominal
  • Falta de ar
  • Náuseas e vômitos
  • Confusão
  • Convulsão
Como foi comigo

Minha gravidez foi bem tranquila e sem nenhuma intercorrência antes de descobrir a pré-eclâmpsia. Também não tinha nenhum dos fatores de risco, que são: idade avançada (acima de 35 anos), obesidade, tabagismo, entre outros. Minha pressão nunca foi alta, ao contrário, o meu normal é considerado bem baixo.

Fui viajar para fazer o enxoval quando estava com 24 semanas. Minha médica autorizou, não havia nenhum problema, estava tudo certo. Ficamos uma semana em Nova York e uma semana em Orlando. Enquanto estávamos em NY foi tudo bem; quando chegamos em Orlando, uns dois dias depois, comecei a me sentir mais inchada e uma dor chata de cabeça, na região da nuca, me incomodava muito. Associei à troca de hotel e ao novo travesseiro, achei que tivesse dormido de mal jeito e segui tomando Tylenol para dor.

Às vezes penso que, certa forma, foi bom não ter associado a alguma coisa mais grave de início, porque eu ficaria muito nervosa, e se acontecesse algo lá, em outro país, tão longe de casa, teria sido muito pior. Deus sabe o que faz!

A vida seguiu, a dor deu uma trégua, e fiquei até o final da viagem. Quando voltamos, me sentia muito cansada. No dia seguinte, mal estar, muito cansaço, e a tal da dor voltou. Aí deu o estalo de buscar no “dr. Google” o que era aquela dor na nuca. Entre outras coisas, apareceu a pressão alta. Na hora me lembrei sobre o ultrassom morfológico que, por conta das minhas veias uterinas, indicou a possibilidade de hipertensão . Mas indicava apenas uma probabilidade, e minha médica achou pouco provável, visto que estava correndo tudo bem e eu não tinha nenhum sinal de hipertensão.

Medi minha pressão e estava 14/9, se não me engano. Sem saber direito, falei com uma amiga e ela disse que estava um pouco alta, era melhor ir para o hospital. Era carnaval. Segunda à noite, fui para o hospital, entraram em contato com a minha médica, recebi medicação e fui pra casa. Dia seguinte, a mesma coisa, dessa vez com a recomendação de seguir tomando a medicação em casa. Quarta-feira de cinzas consegui falar com a minha obstetra, ela disse que meus exames estavam bons, mas a elevação da pressão era preocupante. Pediu para que eu fosse ao consultório no dia seguinte pela manhã.

Cheguei lá muito inchada (e não era só de chorar), meu peso havia aumentado significativamente em poucos dias. Conversamos bastante e ela cogitou me deixar de repouso absoluto em casa, mas disse que ficaria mais tranquila se eu me internasse. Coisa de uns quatro dias, ela disse, minha pressão estabilizaria e eu poderia voltar pra casa mais calma.

Nessa hora ela também falou duas coisas que me deixaram em choque: meu bebê seria prematuro e o nosso desafio agora seria mantê-lo o maior tempo possível na barriga, quanto mais, melhor. Também não poderia tentar parto normal, pois ela não poderia me submeter a tanta dor e correr o risco de minha pressão subir novamente.

Nesse mesmo dia, fui para o hospital. Estava com 26 semanas e 6 dias. Após quatro dias, minha pressão havia estabilizado e estava tudo bem comigo e com meu bebê. No dia da alta ela passou para me ver e disse que faria um ultrassom só para garantir que estava tudo bem com Otto. O exame mostrou que o fluxo do cordão umbilical estava alterado, não passando os nutrientes para o bebê e ele estava com restrição de crescimento. Outro baque.

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Aparelho de cardiotoco, que checa a frequência cardíaca fetal e das contrações uterinas; fazia diariamente

Não pude ter alta. Segui internada por mais 14 dias, fazendo ultrassom diariamente e exames de urina para checar a questão da proteína. Cada dia a mais que ele passava na minha barriga comemorávamos. Até o dia que não estava mais tão bem. A médica achou que não daria mais para esperar, faríamos a cesárea no dia seguinte. Quinta-feira, exatas duas semanas depois da minha internação. 28 semanas e 6 dias. Otto nasceu com 980g e 34,5cm.

Minha pressão nunca mais subiu depois do quarto dia de internação, mas segui com a medicação por mais uns dias ainda, não lembro exatamente quantos. Quando tive alta, media a pressão todos os dias pela manhã e à noite e mandava para a médica uma vez por semana para ela checar se estava tudo bem ou se havia alguma alteração importante. Felizmente, foi tudo bem, ela me liberou dos remédios e minha pressão seguiu boa. Foi uma intercorrência da gravidez mesmo. As causas são desconhecidas. Mas existe uma possibilidade de acontecer novamente em outra gravidez.

Os dados e informações médicas foram retirados do site Minha Vida, somados às informações obtidas com a minha médica durante a minha experiência. Tudo que narrei também foi a minha experiência particular, como forma de alerta para tantas mães que, assim como eu, podem passar por algo assim e não ter a menor noção do que está acontecendo e da gravidade da situação.

Se tiver alguma dúvida ou quiser deixar sua opinião, escreva aqui embaixo, na caixa de comentários!